4/26/2007
Eu também não volto a falar dos Dias da Música
Entretanto, ontem achei piada a esta notícia do Diário de Notícias, publicada em 2006, onde se diz que o orçamento previsto para a Festa da Música nesse ano tinha sido de um milhão de euros, mas que, nas palavras de Mega Ferreira, “teve de haver reajustamentos de acordo com a nossa disponibilidade financeira, que é de 850 mil euros”.
Afinal, a Festa da Música de 2006 custou 850 mil euros, 1 milhão ou 1 milhão e 200 mil?
Pelos vistos, os Dias da Música custaram 600 mil. Isto é a metade de 1 milhão e 200 euros, mas é mais de dois terços de 850 mil. O Fliscorno fez algumas contas. O Henrique também, assinalando aliás que a derrapagem foi realmente do 50% se considerarmos que o orçamento inicialmente anunciado era de 400 mil euros… Em termos relativos, o preço dos Dias da Música disparar-se-ia se considerarmos o número de instrumentistas envolvidos em ambas as iniciativas (eis um resumo do programa da Festa em 2006, com um destaque para a particupação portuguesa) e tomarmos como critério o que efectivamente se pagou por cada concerto. Isto aconteceria inclusivamente se aceitarmos o orçamento do milhão e 200 mil euros.
Tal como o orçamento, também a questão do suposto "novo conceito" dos Dias da Música deveria ser tema de tertúlia blogosférica. Já disse que o assunto não me diz respeito: poderão comprovar que, na realidade, este post foi motivado por um certo desprendimento de matriz kantiana. Mega Ferreira disse na conferência de imprensa que todos nós tínhamos andado a confundir formato e conceito, que o que ele apresentou foi um novo conceito, o conceito próprio dos Dias da Música. É admirável e muito meritório que a equipa do CCB tenha conseguido montar o programa que foi oferecido em tão pouco tempo. Sobre isto não tenho nenhuma dúvida. Mas, por favor, não me digam que houve um "conceito" sobre o qual se fundamentaram as escolhas.
Há um aspecto que me interessa particularmente enquanto musicóloga. A programação da Festa da Música orientava-se por critérios de carácter vagamente historiográfico, pelo que a criação ulterior de discurso estava assegurada. Tinha, portanto, entre outras, uma evidente função pedagógica. Não oferecia apenas o prazer efémero da música ao vivo, mas a possibilidade real de aprender alguma coisa sobre a história da música em sentido lato, assim como sobre a história dos géneros musicais, da interpretação, do percurso dos próprios compositores. Colocava questões e dava perspectivas.
Asseguro-vos, meus caros contertúlios, que ter escutado no mesmo dia, por exemplo, as Variações sobre um tema de Paganini, de Rachmaninov, o Festim da Aranha, de Roussel, prelúdios de Debussy, obras de Chopin e a sonata de Liszt, o terceiro de Prokofiev, Frescobaldi e Bach entremeados por música techno, o terceiro de Beethoven… não leva, intelectualmente, a lado nenhum. As minhas escolhas foram, por força das minhas circunstâncias pessoais,
pouco ponderadas. Mas, mesmo assim...
Querendo diferenciar os “Dias” (onde não há conceito para além do acaso temporal resultante de terem acontecido durante um fim de semana sessenta concertos nos quais trinta pianistas tocaram o piano) da “Festa” (acho que a distância é evidente, não é preciso explicar a significação do termo quando associado à música clássica), banalizou-se o evento. Copiou-se a aparência (ou seja, o formato) e desintegrou-se o conceito original, é certo, mas este não chegou a ser verdadeiramente substituído por outro. E se o foi, sou tentada de dizer que foi apenas substituído pelo vazio.
Coisas como esta são as que explicam a decadência dos povos peninsulares.
Corei depois de ter escrito a anterior frase. Ainda bem que não penso voltar sobre este assunto.
4/23/2007
O meu calmo Dia da Música
Do que escutei, ficam para a memória os dois recitais, excepcionais, que António Rosado e Artur Pizarro deram no segundo dia. Espero poder voltar a escrever sobre ambos num estilo menos telegráfico. Rosado nasceu para tocar Debussy. Interpretou o segundo volume dos prelúdios (fez a integral há alguns anos, também no CCB) com autoridade: alucinantes as cores e subtilmente controlada a flexibilidade rítmica, evidenciando a estrutura, todos os planos e a poesia próprias de cada peça. Brouillards surgiu do silêncio, criando um estado de escuta que permaneceu até aos fogos de artifício com que fecha o volume.
Artur Pizarro é, ao contrário do sempre sóbrio Rosado, um sedutor impenitente. Sempre que escrevo sobre ele acabo usando – ou querendo usar – adjectivos como mágico, surpreendente ou fascinante. Este recital não vai ser excepção. Mas o resto fica para outro post. Tenho de ir embora e também quero tentar escutar antes a gravação que fez da sonata de Liszt, incluída no programa, na década de 90.
Só mais três apontamentos:
1. Gostei muito de escutar Diana Vieira, aluna de Alexei Eremine na Metropolitana. Por ambos: pelo professor e por ela. Segura, sempre musical, Diana tocou muitíssimo bem a parte solista das Variações sobre o tema de Paganini, de Rachmaninov. Espero que consiga prosseguir serenamente o seu caminho e, desculpem o excesso de confiança, que não arranje namorado longe do lugar que escolha para dar seguimento à sua formação.
2. A propósito de Schlimé, de quem falei há dois posts, escutei-o de relance e acabei sem saber muito bem o que pensar. No entanto, continuo a apreciar os seus CDs (por exemplo, a sua versão do concerto em sol de Ravel, com Pletnev como regente) e acho graça à sua imagem de estrela techno-pop à mistura com posse decadente-lisztiana.
3. E, finalmente, é preciso assinalar o estrondoso sucesso de Maria João Pires no concerto de encerramento. Há reconciliações assim.
Duas coisinhas sem importância
Ooops!
Na cobertura jornalística, chocou-me o reduzido espaço dedicado às críticas e aos pianistas e o destaque editorial dado às criancinhas e ao público anónimo que fazia perguntas inocentes aos grandes artistas.
É o efeito Rousseau, que continua a fazer as dele.
4/18/2007
Com Sokolov como desculpa

De joelhos, talvez só perante Richter.
Está depois o Thibaudet, que, por enquanto, é o "meu" pianista.
Sou também a fã nº 2 do Artur Pizarro e do António Rosado. Tenho
ainda um fraquinho pelo Kissin e outro pelo Tharaud. E acho o Andsnes lindo de morrer.
Mas, Carlos e Sónia, peço desculpa, isto está escrito sem pensar. Os - e as - restantes pianistas e o recital de Sokolov em Lisboa ficam para outra oportunidade (o Sokolov, para a semana). Nestes dias, vou ter de exercer intensivamente de professora universitária, participando em iniciativas tão sérias como esta.
Só mais duas coisitas.
E já que falamos em pianistas: se alguém for aos Dias da Música, no CCB, e tiver a oportunidade de escutar o Francesco Tristano Schlimé, que, por favor, diga alguma coisa (o mail do blog está lá ao fundo, na coluna da direita). Pelo que tenho ouvido dele em CD, poderia chegar a atingir as categorias de pianista pelo que tenho fraquinho e de lindo (mas não de morrer). Seria preciso confirmá-lo ao vivo.
Como tampouco vou conseguir abrir o salão nos próximos dias, fica para os habitués o seguinte poema de Pere Gimferrer, escrito, salvo erro, em 1974. Vale, aliás, mais do que todos os meus posts juntos.
A noite primaveril do recital lisboeta de Sokolov teria merecido, porém, um outro texto, com locus amoenus, mas nao às avessas, e com cheiro de relva recém cortada.
Noche de abril (según Gimferrer)
de alto zodíaco encendido: cúpula vacía,
azul y compacta, forma transparente
al abrigo de una forma. Así vuelvo a encontrarme
buscando esta calle. Ni está, ni estaba:
ahora existe, en levitación,
porque la mente la inventa. Asedio adusto,
pleito de lo visible y lo invisible: llama
y consumación. Contornos, inmóvil
piedra que cristaliza. Esta noche,
tormento de los ojos, tormento que una palabra designa,
sin decirlo del todo, como el reflejo
de una perla en tinieblas. Ahora los dedos
arden con la claridad de una palabra. ¿El sol?
El nocturno cuerpo solar, hecho pedazos, rueda
cielo abajo, piel abajo. Ni el tacto sabe
detener la caída. Incendiado
y poderoso. Riegan, de madrugada,
las calles, y un silencio nulo de cláxons,
en los pasajes húmedos, abre un imperio
donde a la piel responde la piel, y el nudo
se hace y deshace. Las teas de Orión
ven los cuerpos enlazados. Astral
escenario de profundos cortinajes
sobre el resplandor sonoro. Dices
sólo una palabra, la palabra del tacto, el sol
que ahora tomo en mis manos, el sol hecho palabra,
tacto de la palabra. Y las estrellas, táctiles,
invioladas, carro que al deslizarse
al fondo de un vidrio vago se refleja
en tu lujo, claridad de espalda y nalgas,
el globo detenido, ígneo: el reverso
oculta el trueno oscuro del monte de Venus. Brillan
dos tinieblas cuando el firmamento
mueve galeras y remos, y ahora escucho
el oleaje, el chapoteo de los pechos y el vientre,
copiados por la noche. La estancia cósmica
es la estancia del cuerpo, y la blancura
no confunde nubes altas y verde de espuma:
todo lo delega, la reenvía todo. Tiemblan,
esperando recibir un nombre, las criaturas
de la oscuridad, el dibujo de las tenazas
de los dos cuerpos, tapiz del cielo, horóscopo
giratorio. ¿Un sentido? Todo, ahora, es doble:
las palabras y los seres y la oscuridad.
Pero, escucha: muy lejos, desde esquinas
y faroles nocturnos, vacíos de murmullos,
negativo ignorado de magnesio,
vengo, mi rostro viene, y ahora este rostro
vuelve a ser el rostro mío, como si con un molde
me rehicieran los ojos, los labios, todo,
en el arduo encuentro de este otro, un trazo
dibujado al carbón, que no conozco, que toma
posesión del hielo, que me funde y me biela.
Es éste el enemigo, el que yo siento,
irrisorio y soberbio, ojo o escorpión,
el nombre del animal, el antiguo dominio.
¿Lo reclama el amor? Cuando dientes y uñas
bordean el azulado coto de la piel,
cuando los miembros se aferran, la certeza
¿viene de un fondo más remoto? Curvados, se despeñan
los amantes, como las formas minerales,
rechazados por la noche que calcina el mundo.
4/17/2007
(Quase) sem palavras
4/16/2007
Separadas pelo Tejo
O ambiente muito formal e sempre um pouco frio do CCB não tem nada a ver com aquele que se respira no Teatro de Almada. A diferença passa pelas cores escolhidas para a decoração, pela escala de ambos os edifícios e, até, pela roupa que levam vestida as pessoas que atendem o público. E pela expressão que têm no rosto. No caso deste fim-de-semana, houve igualmente diferenças no que diz respeito ao público. Um auditório praticamente vazio em Lisboa, enquanto, em Almada, a sala estava esgotada. Ainda, na sexta, tivemos repertório tradicional e, no sábado, uma estreia. No primeiro caso, ouvimos música alemã tocada pela OSP e, no segundo, vimos e escutámos uma peça de teatro musical que mereceria o qualificativo de ibérica, baseada num conto de um autor português, de temática castelhana e musicado por um argentino.
Acasos.
Contaram-me, no entanto, que dias antes a OSP tinha conseguido encher o auditório almadense. O público acabou chamando o próprio Paolo Pinamonti ao palco e que este teve direito a uma ovação cerrada. Do programa constava o Requiem de Verdi. Outro acaso. Em Lisboa, as cento e tal pessoas que assistiram ao concerto de sexta também aplaudiram com entusiasmo. O concerto foi um daqueles em que o contexto importa. Ou seja, fosse a OSP uma orquestra com auditório próprio e maestro titular, com um gerente a ela dedicado em exclusividade e a minha opinião seria diferente. Seria também outra orquestra. Paolo Pinamonti teve o mérito de pacificá-la, assim como o fez com o coro tão aficionado às greves intempestivas – e, seguramente, laboralmente motivadas – em épocas passadas. A criação de uma identidade do agrupamento em termos sonoros e institucionais, porém, é que ficou pendente: um sonho impossível sem um mínimo de estabilidade e de regularidade que “vertebre” (será que a palavra em português não existe?!) a sua actividade.
Josep Pons, maestro convidado para a ocasião, com o seu gesto talvez exagerado para o gosto lisboeta, imprimiu o seu dinamismo no agrupamento, que respondeu muito bem. Na peça de Schreker divertiram-se e isso transpareceu para a plateia. Fantásticas as trompas e a flauta solista na quarta de Brahms. Andamentos, porém, com resultados um tanto desiguais, e, de facto, sem aquela flexibilidade que cria formas sonoras passando por cima da regularidade do compasso e que em Brahms é fundamental. Hoje acordei hanslickiana. Eu gostei, porém, das cores que Pons tirou, quase diria analiticamente, da orquestra e da rede de células rítmicas que pôs à mostra. Foi particularmente bem sucedido nas variações. No concerto de Schumann, Michael Dalberto encheu o auditório com a sonoridade absolutamente colossal que tira do piano. Fez da obra dedicada a Clara uma página de grande virtuoso, transformando a orquestra na sua sombra. Não sei se é bom o mau, mas a sua presença ficou-me gravada na memória.
O pianista apareceu rigorosamente vestido de pianista perante uma plateia, como disse, quase vazia. Houve um momento em que pensei que, afinal, no programa havia um engano: não era nada Schumann, mas Mauricio Kagel…
Isto vai demasiado longo. Por isso, vou escrever sobre a peça cénica O Defunto ainda mais telegraficamente. Em Almada, portanto, no sábado, Eça de Queiroz, Daniel Schvetz e a encenadora Érica Mandillo deram-nos teatro. Com ironia, ternura e boa disposição. A adaptação do conto de Eça foi feita encontrando soluções simples, engenhosas e sempre pertinentes.
O vídeo de Mário Costa – coincidente com o momento em que o conto se vira história de fantasmas – foi uma gratíssima surpresa e – não apenas por isso – um dos melhores momentos do espectáculo. Infelizmente, não encontrei nada sobre ele na net, mas é um nome a decorar. Do seu CV consta, entre outros trabalhos, a recente criação de filmes de animação para a Orchestre Philharmonique du Luxembourg (Goldlöckchen, op.74, com música de Kurt Schwertsik, e Till Eulenspiegel, de Strauss). Cabe ainda referir Rui Baeta, Susana Teixeira e Luís Rodrigues, assim como o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa sob a batuta de João Paulo Santos, os quais contribuíram igualmente para o sucesso.
Nuno Nabais propôs-se fazer mais uma sessão na Ler Devagar dedicada a esta obra de Daniel Schvetz. Já agora, será no próximo dia 27 ao Bairro Alto.
Escrevo-te com o fogo e a água
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.
O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.
Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
António Ramos Rosa, Volante Verde, Lisboa, Moraes Editores, 1986.
4/14/2007
"Ópera" de Daniel Schvetz
Se estrenó ayer y se vuelve a montar hoy, en el Teatro Municipal de Almada a las 21h30.
Las clases están de vuelta, ya la semana que viene. Y, con las clases, vuelve el resto... A ver cómo hago para comentar aquí alguna cosa sobre la obra.
4/13/2007
Arte com Maiúscula
Para tirar dúvidas, e aproveitando que tinha marcado um brushing hoje de manhã, mostrei a entrevista à minha cabeleireira. O que ela achou incrivelmente interessante foi que o Letonja tivesse gravado as sinfonias de Weintgartner.
Também falámos acerca do meu artigo sobre a encenação do Graham Vick. Isto levou-nos a discutir se, quando for a estreia do Caso Makropoulos que o Letonja vai dirigir no Scala, vamos levar uns manolos ou uns prada. Ainda não decidimos.
E, finalmente, comentando o último número da Caras, tivemos um bocadinho de pena dos coitados dos wagnerianos que, depois do Vick, vão ter de engolir que o Wagner era fetichista e travesti.
Nós não somos como essa Madona Lopes que escreve no Inimigo Público: nós sabemos quem é o Tintoretto!
Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.
Alberto Caeiro (1915)
Para fetichistas: a ficha catalográfica e a reprodução do documento original guardado no espólio (site da BN).
Para quienes quieran leerlo también en español: el fabuloso site de Sebastián Santisi, donde se encuentran traducciones de un número considerable de poesías de Pessoa.
4/12/2007
Bom vento
Mañana: Josep Pons dirige la Orquesta Sinfónica Portuguesa en el CCB (Lisboa). En el programa hay obras de Schreker, Schumann y Brahms (la cuarta!).
En mayo, día 27: el pianista Javier Perianes toca el concierto en sol de Ravel
con la Orquesta Sinfónica de Londres dirigida por Daniel Harding. Será en el Coliseu dos Recreios de Lisboa, dentro del ciclo de las Grandes Orquestas Mundiales que organiza la Fundación Gulbenkian. Hay, por lo menos, cuatro motivos para no perdérselo: Perianes, Ravel, la OSL y - last but not least - Harding!
En junio, día 21: el Cuarteto Diotima estrena dos cuartetos de Alberto Posadas en la Casa da Música (Porto).
4/11/2007
Primavera
um canteiro de flores
a fabricar um cauto oceano;
puxado pelo fragor do sol
o sangue esbarra
de encontro ao esterno
(último paciente no consultório
olha já o poente
e sonha com laranjas apunhaladas
no açúcar das ervas rentes).
Que secreto e suicida engano deixo
entrar pelas narinas?
A pele é um passeio breve
sob a lã do firmamento
desde o rio subindo
desde o prado descendo.
Como escondê-lo?
a Primavera bate-me
sonora e claramente à porta,
afaga-me o cabelo
com mão infanticida,
senta-me no seu colo
e fende-me aos poucos
a garganta,
de sorte que me olho desde as papoilas
de Monet, ou desde a terra dos meus avós (que importa?)
e é tudo
o mesmo sangue a prumo.
Rui Lage, Berçário, 2004
4/10/2007
Crujidos
Me parece muy bien. Es sólo que llega a la blogosfera creándome un problema. Se trata del blog de un etnomusicólogo y crítico musical que también va a abordar temas relacionados con política cultural. ¿Dónde lo meto?
Con otras palabras, voy a tener que organizar de otra forma los links de los blogs de música que aparecen en la columna de la derecha. Son tantos que empiezan a ser también inútiles. En este caso, sin embargo, cantidad y calidad no están reñidas: muchos de ellos me parecen francamente interesantes y algunos, como es el caso de La Idea del Norte, también están maravillosamente [sic] bien escritos.
Vintage diversion
Beethoven, Sonata op. 30 nº 1 en la mayor, 3. Allegretto con Variazioni / Zino Francescatti y Robert Casadesus.
Después, con esto:
Felix Mendelssohn-Bartholdy, Trío en re menor op. 49, 1. Molto allegro ed agitato / Artur Rubinstein, Jasha Heifetz y Gregor Piatigorsky
Y, entonces, me he acordado de esto:
Que acaba así:
Claude Debussy, Sonata para violonchelo y piano en re menor / Maurice Gendron y Christian Ivaldi.
4/09/2007
El contexto importa
La pieza original se encuentra en este link. Me ha parecido un poco larga y su estilo es muy etnográfico. A pesar de ello, creo que puede resultar una lectura entretenida para quienes estén todavía disfrutando de la Pascua. Entristece y reconforta a partes iguales (y en la medida en que confirma lo que ya sabemos).
Ícaro
tratou cuidadosamente a ferida do joelho
reuniu os bocadinhos das suas
asas
colou-as com paciência
e pendurou-as na parede da sala
como recordação.
António Pedro Pita, Melancolia Dupla, 2007
4/08/2007
História e memória
Nouvelle cuisine




El fin de semana, entre otras cosas buenas, me ha dado tiempo para actualizar mis audiciones en la página de la Naxos. Empecé por el CD de Roberto Sierra del que hablaba en el post anterior. Su música es, sí, interesante, pero las interpretaciones son un tanto decepcionantes. Parece como si el grupo en cuestión se hubiese conformado con "documentarlas": miren, aquí tienen algunos de los pasos que el compositor dio para llegar hasta donde está hoy. Sierra nos da en sus obras una imagen sonora del Caribe que no tiene nada que ver con la comercializada, aunque él no sea, en absoluto, un esnob (hay que oírle defender a la también puertorriqueña Jennifer López frente a quienes sólo elogian o critican sus curvas!). El Caribe de Sierra es también muy negro y violento, incluso cuando lo recrea con sentido del humor. Pues bien, esto sólo se intuye vagamente en esta grabación.
De hecho, el CD parece ser una reedición de otro de la Musical Heritage Society, publicado en los años 80. Esto explica, tal vez, el desfase que hay, desde el punto de vista técnico, entre ese registro con acento caribeño y otras grabaciones dedicadas a otros compositores contemporáneos recientemente lanzadas por Naxos. Tenemos, por ejemplo, obras que no aprecio particularmente – música sinfónica de Glass y piezas corales de Pärt – servidas por interpretaciones que hacen que sitúan el interés de las grabaciones más allá de los propios compositores y sus obras.
También ha sido grabada por la misma discográfica, hace relativamente poco tiempo, la obra para piano de Adams, cuyo minimalismo “expresivo” sí que aprecio. Se recomienda además por la presencia del pianista neerlandés Ralph van Raat. Y, puestos a escoger sabores exóticos, una buena opción es el ciclo de conciertos de cámara de Huang Ruo, servido por su grupo, el excelente International Contemporary Ensemble. Entre otros méritos, tiene el de abrir el apetito: éste es su primer CD, del compositor y del grupo, y, teniendo en cuenta el resultado, no creo que tengamos que esperar mucho por los siguientes.
4/04/2007
De Finlandia al Caribe

Vámonos ahora al Caribe. Lo acabo de ver en la página de la Naxos, así que no lo he escuchado todavía, pero seguro que es interesante. Desde luego, la música del encantador Roberto Sierra lo suele ser.
Primavera finlandesa
Luonnotar, virgem e filha do ar, lançou-se ao mar e ali ficou enchida pelo vento durante sete séculos, durante os quais nadou por todos os océanos. Pediu então ajuda a Ukko, o deus supremo, para poder dar à luz, após uma longa gravidez de água e de ar. Um magnífico pássaro posou-se sobre as suas pernas e fez nelas o seu ninho, com seis ovos de ouro e mais um de ferro. Os ovos cairam no mar e deles brotou a Terra com o seu Céu, a Lua e o Sol. A virgen Luonnotar permaneceu na água mais dez anos. Criou depois a vida na Terra, as ilhas e os continentes. Trinta anos mais tarde, finalmente viu nascer o seu filho, o já velho, sábio e vigoroso, Väinaämöinen. Mas este caiu no mar e ficou junto da sua mãe durante mais oito anos. Pôs então, pela primeira vez, pé em terra firme e pode finalmente admirar o mundo que a sua mãe tinha criado.
Sibelius cultivou indistintamente a sinfonia e o poema sinfónico. Enquanto no primeiro sempre procurou preservar “a severidade e o estilo, assim como a profunda lógica que permite criar a conexão íntima entre todos os motivos”, no segundo, encontrou uma via para se libertar do peso da tradição. No entanto, sobretudo a partir da quarta sinfonia, o compositor acabou por fusionar nas suas obras ambas as tendências, tentando fazer com que as suas composições dependessem menos dos esquemas tradicionais do que da lógica não sistemática ou intuitiva inerente aos materiais escolhidos: as suas peças, nas suas palavras, crescem paulatinamente através de transformações motívicas espontâneas cuja fixação ou “cristalização” é comparável às estruturas microscópicas do gelo. Isto pode explicar que, na discussão em termos formais dos seus poemas sinfónicos, todos os autores coincidam em procurar formas de sonata, o padrão formal característico do género sinfonia. Contudo, todos eles coincidem também em sublinhar as notáveis novidades introduzidas pelo compositor, sobretudo do ponto de vista do plano armónico. Em Luonnotar tem sido identificado esse tipo de esquema tripartito, coincidente com o conteúdo do poema cantado pela solista e que é susceptível de ser estruturado numa forma de sonata livre. Contudo, conforme assinala Erik Tawaststjrna, elementos tais como o uso dos intervalos de segunda maior e e de segunda menor como elemento ao mesmo tempo estrutural e colorístico, ou como a orquestração, de carácter camerístico, conferem à obra uma notável “modernidade”.
A parte vocal apresenta dois tipos de carácter, um épico e um outro mágico e misterioso. Na primeira parte, opõe-se a narração de Luonnotar ao seu lamento, perdida nas conturbadas águas. A secção intermédia – a qual coincidiria com o desenvolvimento – evoca a luta da Filha do Mar que conduz, já na Reprise, ao momento climático da peça. Este é também um dos trechos mais emocionantes e intensos de toda a música de Sibelius. Esta terceira secção apresenta ainda uma evidente tensão harmónica, coincidente no texto com o momento da Criação. O anticlimático final da obra, porém, faz pensar mais no seu mistério do que na sua grandiosidade.
3/31/2007
Una no gana para sustos
3/30/2007
Pizarro/Jurowski/LPO
Preço zero?
Hoje acordei virada para a transcendência
Riccardo Muti e a Philharmonia Orchestra deram esta semana um concerto assim. Foi na passada segunda feira, no Auditorio Nacional de Madrid. Tivemos uma sinfonia nº 35 de Mozart "clássica", alla Karl Böhm; o poema sinfónico Les Preludes, de Liszt, transformado em puro jogo de sonoridades; e, por fim, a Sexta de Tchaikovsky.
Muti é um dos melhores intérpretes da música do compositor russo. A "Patética" acompanha-o há anos. Rotina, porém, não é palavra que entre no seu vocabulário. Torna-a numa jóia de som, polida com precisão nas suas múltiplas texturas e facetas e com a sua subtil estrutura à mostra. Tenho a impressão de que os músicos não falharam nem uma das cambiantes indicações de dinâmica com que Tchaikovsky encheu a sua partitura. Mas Muti também encara Tchaikovsky como o compositor moderno, corruptor dos nervos, que foi. Ou seja, sem visos de patetismo pedante. O incrível é que, na escuta, torna possível que a contemplação fascinada e a "concentração para dentro" surjam em simultâneo.
3/29/2007
Leveza
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que se lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.
Cecília Meireles,
Mar absoluto e outros poemas (1945)
3/26/2007
Conchas
Barítonos
No las he encontrado, por su puesto, pero, relacionándolas con un artículo que Gabriela Gomes da Cruz publicó en el volumen de la Revista Portuguesa de Musicologia en 2000 y que he tenido que consultar este fin de semana por otras razones, me dio por pensar de nuevo en el personaje del Conde di Luna. En dicho artículo, Gabriela refiere la pasión por los barítonos nacida en la segunda mitad del siglo XIX en el contexto de la recepción de L'Africaine, de Meyerbeer, en Lisboa. La referencia bibliográfica sobre el tema es The Verdi Baritone, de Geoffrey Edwards y Ryan Edwards.
A mí me caen fatal tanto Leonora como Manrico: la primera es una niña pija y el segundo, un inconsciente. De forma natural, mis simpatías van hacia ese barítono despreciado y esclavo de las obligaciones de su clase. Ahora, es cierto que Verdi y Cammarano presentan una versión del personaje que se aleja de la original. En la pieza de García Gutiérrez, el Conde de Luna es un ejemplo perfecto del execrable perseguidor de doncellas indefensas, típico del teatro sentimental. Un malo malísimo sin fisuras.
Y quien habla del Conde di Luna, habla de Ettore Bastianini. Aunque, viendo y escuchando lo que tenemos disponible en youtube, Robert Merrill y Giorgio Zancanaro no se quedan atrás.
3/25/2007
Espelhos
Nervios
El crítico conservador y nacionalista alemán Walter Niemann, describió, en 1913, así esta nueva situación: “La música ha pasado a ser, de heraldo de la vida espiritual humana a través de ideas musicales significativas y originales, de la expresión sin mediaciones de nuestro corazón y de nuestras emociones, el instrumento tímbrico más sensible de nuestros nervios y de nuestros estados de ánimo. La música ha dejado de vehicular sentimientos y asuntos poéticos, pictóricos, psicológicos y filosóficos para transformarse en un arte de nervios, emociones y timbre, definida externamente.” La asociación entre la idea de sonoridad y la excitación nerviosa que producía fue uno de los tópicos que se sucedieron en la crítica, acompañando el proceso de emancipación del timbre en el ámbito de la composición.
Otra cita, ésta retirada de un estudio del influyente musicólogo Carl Dahlhaus dedicado a la música del siglo XIX, resume claramente este proceso, definidor de la música del cambio de siglo: “se libertó el color de su función subordinada de mero clarificador de la melodía, del ritmo, de la armonía y del contrapunto de una pieza, y se le dio una razón estética de ser y un significado por sí mismo."
La música de Wagner y su recepción determinaron en gran medida este camino. El fragmento de Nietzsche, corresponde a la fase en que éste ya se había liberado del dominio del hechicero Wagner y puede ser entendido como una especie de síntoma de curación. Como contraste, podemos recordar el célebre ensayo publicado en 1861 por Baudelaire a propósito de Tannhäuser, cuyas “rêveries” musicales son comparadas a los falsos paraísos creados por el consumo de opio.
En su escrito, Baudelaire subraya la “intensidad nerviosa, la violencia en la pasión y la voluntad” de la música del compositor alemán, afirmando que, a través de esa pasión, “comprende todo y hace que todo se comprenda. Todo aquello que implican las palabras voluntad, deseo, concentración, intensidad nerviosa, explosión se siente y se adivina en sus obras.” El poeta parte de una idea de arte peculiar: “En materia de arte, confieso que no detesto el exceso; la moderación nunca me pareció síntoma de una naturaleza artística vigorosa. Amo los excesos de salud, esos desbordamientos de la voluntad que se inscriben en las obras, tal como el asfalto inflamado en el suelo de un volcán, y que, en la vida cotidiana, marcan a menudo la fase, plena de delicias, que sucede a una gran crisis moral o física.”
3/24/2007
Vámonos a Simorgh

Conocí la semana pasada al último compositor de mi vida. Se trata de José María Sánchez Verdú, a quien tuve el placer de entrevistar con el pretexto del próximo estreno de su ópera El Viaje a Simorgh. Basada en el libro Las Virtudes del Pájaro Solitario, de Juan Goytisolo, es un encargo del Real.
El caso es que, cuando fue el "caso Azúa" (que tuvo algún eco en este blog), no fui demasiado simpática con su intervención. O mejor, me pareció tan importante que Azúa escribiese lo que escribió, que lamenté que Sánchez Verdú se colocase en el lado equivocado, por muy aceptables que pudiesen ser los argumentos. Lo curioso es que, cuando le hice la entrevista, no me acordaba, ni de aquella polémica, ni de que él hubiera participado en ella: dos años son una eternidad, como se sabe.
En retrospectiva, me da la impresión de que, al final, estaban hablando de lo mismo. Al menos en la medida en que Sánchez Verdú está muy lejos de la figura del compositor ensimismado y visionario que asociamos a la figura de Schoenberg y a la "vanguardia" en general. De hecho, una de las cosas que más sorprendieron es la capacidad que el compositor español tiene para absorber y reelaborar materiales. Todavía, su concepción del sonido como una especie de material fisiológico que "moldea" con manos de artesano está alejada de los métodos más aritméticos, pase la expresión, que tienen su origen en el dodecafonismo.
Sánchez Verdú me parece, como digo, uno de los compositores del presente que trabaja de forma más sensible el sonido, asociándolo con experiencias sinestésicas que incluyen luz, colores y también sabores y aromas. Lo confirmo porque me pasó una cosa rarísima en la T1 de Barajas - uno de los sitios más feos de España - leyendo y escuchando la partitura de Gramma o Jardines de la Escritura, la ópera que hizo antes de El Viaje a Simorgh. Yo, que hasta he llegado a ridicularizar a los admiradores de Scriabin porque decían que veían luces cuando escuchaban su música... - me vi envuelta en aromas de flores escuchando uno de los números ("Jardín de Adonis"). Y no, graciosillos, os aseguro que confundí el olor de ningún pincho de tortilla con el del jazmín...
Sánchez Verdú me contó después que la puesta en escena integra a los espectadores en el espectáculo y me dejó con ganas irme a Venecia, si se confirma allí la reposición de la obra. Con sus palabras:
El público esta situado debajo de la orquesta, a dos metros, y interactúa con la obra. Cada oyente se sienta en un pupitre, en el que se encuentra un libro: la escenografía está en sus páginas y, por lo tanto, también acaba por surgir en la imaginación del público. Éste no ve en ningún momento ni a los cantantes, ni a la orquesta. La obra es una reflexión sobre la escritura, de ahí la importancia dramatúrgica de ese libro. En él se encuentran fijados dibujos, textos, comentarios, palimpsestos, laberintos… Al final se encuentra un CD, que es otra forma de escritura, con el resultado sonoro de la obra fijado en un soporte de nuestra época.
También puede ser leída esta excelente crítica, que describe la experiencia del público.
Además, fascinado por las posibilidades de la intertextualidad, Sánchez Verdú crea en sus obras diálogos, no sólo con la historia de la música occidental, sino con todo tipo de manifestaciones artísticas y culturales del presente y pasado. En su concepción de la composición parte del modelo de la arquitectura, pero, para él, lo más importante es que es que sus composiciones “respiren” como si fueran seres humanos. Defiende que, aún siendo una forma de conocimiento, la música debe ser concebida para ser sentida...
La entrevista saldrá en la revista Audio Clásica, ahora renovada, el próximo mes de mayo.
Primavera em Castelo Branco

Carlos Semedo, um dos organizadores do Festival de Música de Castelo Branco, teve a amabilidade de me enviar o interessante programa da edição deste ano. Pode ser consultado aqui.
Acho que valerá a pena marcar na agenda os dias 11 e 13 de Maio, que é quando Bruno Borralhinho (na foto) vai tocar a integral das suites para violoncelo solo de Bach. Nos dias 9 e 10, o nosso saudoso ex-colega de blogosfera, César Viana, vai apresentar essas obras num curso livre que terá lugar no Cybercentro da cidade.
3/23/2007
bravopinamonti@gmail.com
Os signatários, exercendo ou tendo exercido a actividade de críticos musicais, seguiram com particular atenção ao longo de seis anos a programação do Teatro Nacional de São Carlos sob a direcção de Paolo Pinamonti. Como críticos, têm os signatários opiniões diferenciadas sobre as propostas artísticas dessa direcção e suas realizações. Mas nunca os signatários se haviam reunido como o fizeram para prestar o seu reconhecimento a Paolo Pinamonti, no momento em que vêem interrompida a continuidade de uma direcção que, face a repetidos constrangimentos orçamentais, tinha manifestado um esforço e uma imaginação continuadas em tentar responder às missões de um teatro nacional de ópera e aos níveis artísticos desejáveis.
Mais entendem os signatários não só não serem compreensíveis os termos expeditos com que a tutela dispensou quem tanto tinha prestigiado o São Carlos, como observam com preocupação que um exercício de arbitrariedade política possa interromper a continuidade de trabalhos artísticos, para mais constatando que os responsáveis do Ministério da Cultura procederam ao contrário do disposto no programa do governo, no sentido da existência de "direcções artísticas menos dependentes da lógica de nomeação governamental".
Nestas circunstâncias gravosas, entendem os signatários que é devida uma pública homenagem a Paolo Pinamonti, pelo que convidam todos os que se queiram associar para um jantar que terá lugar na próxima segunda-feira, dia 26, no Hotel Vila Galé Ópera (Travessa do Conde da
Ponte, junto ao edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa), pelas 20h30. As inscrições e confirmações poderão ser feitas através do mail: bravopinamonti@gmail.com , ou por sms para até ao próximo sábado, às 20h00. O pagamento, no valor de 26,5 euros, será efectuado à entrada.
Alexandre Delgado
Ana Rocha
Augusto M. Seabra
Bernardo Mariano
Cristina Fernandes
Henrique Silveira
João Paes
Jorge Calado
Maria Augusta Gonçalves
Rui Vieira Nery
Teresa Cascudo
Vanda de Sá
3/21/2007
Ondine
Et comme je lui répondais que j'aimais une mortelle,
boudeuse et dépitée, elle pleura quelques larmes,
poussa un éclat de rire, et s'évanouit en giboulées qui
ruisselèrent blanches le long de mes vitraux bleus.
Hmmm, primavera!
Es lo que queda después de un breve paseo por youtube buscando algo que reflejase ese particular estado de espíritu. No han pasado la criba ni la Varady, ni la Fleming cantando Strauss. Ni, mucho menos, el descubrimiento de que en Italia una canción bastante cursi que se titula "Maladetta Primavera" es una especie de clásico. Pero es que Sarah Vaughan es única.
Espero además que sea un feliz síntoma de que ya se me ha pasado el ataque de wagnerismo del que he estado aquejada durante los últimos días. Lo peor es que todavía tengo que mandar las críticas de la Valquiria de Vick y del Anillo de Colonia al editor de Mundo Clásico...
3/20/2007
Bem-vindo a Lisboa, Herr Dammann!
Sobretudo, julgo que a ideia do novo teatro de ópera que vai nascer das suas cinzas após esta operação e que, entre outras coisas, vai atrair turistas, inovar “no repertório, na prática de encenação e de representação”, criar escola de canto e acalmar a sede de lírica das criancinhas portuguesas está muito próxima da alucinação. É megalómana e irrealista atendendo ao subfinanciamento histórico da instituição e, já agora, também às condições da própria estrutura e do edifício. Só pode acreditar nela quem não as conhece. Surpreendentemente, ou não, parece estar nesta situação o substituto de Pinamonti, o qual disse, por exemplo, na conferência de imprensa da semana passada que “caso as características técnicas do S. Carlos o permitam, é também seu desejo ter em cena duas produções em simultâneo”.
O que tem acontecido com Pinamonti tem, finalmente, alguma relação com o processo que levou, em 2003, Christoph Dammann para a Ópera de Colónia. A pessoa que tinha sido inicialmente indigitada para o lugar, Barbara Mundel, foi despedida sem explicações. O escândalo teve repercussões nacionais. Numa leitura positiva, o que se passou em Colónia em 2003 poderia indiciar que o novo responsável pelo São Carlos tem alguma habilidade pessoal para lidar com políticos: na altura era apenas um doutorado de 39 anos, sem experiência prévia no domínio da gestão de teatros de ópera. Hoje, os dados de que dispomos são os seguintes: Dammann aguentou-se no lugar apenas quatro anos; não conseguiu incrementar o orçamento destinado pela cidade à ópera; e, pelo que tenho lido e pelas minhas conversas de corredor em Colónia, sai dali sem deixar saudades.
3/16/2007
Mais do mesmo
A diferença, essa, está na orquestra que, apesar de ligada ao teatro, tem conseguido graças ao seu maestro titular (e actualmente responsável artístico por toda a actividade musical da cidade de Colonia), Markus Stenz, apresentar um trabalho que começa a distingui-la no panorama europeu. Posso aliás imaginar que o próximo capítulo deste folhetim hermenêutico será o dedicado à articulação da Orquestra Sinfónica Portuguesa com o Teatro de Sao Carlos e à definição da partilha do espaço cultural e orçamental da capital pela OSP com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, também financiada pelo Ministério da Cultura.
E não, Eduardo Pitta: neste "diz-que-diz" há também argumentos. Fait divers são os dados que publicou no seu blog, com demagogia pseudoestatística. O São Carlos, como estrutura, não se reduz, nem à ópera, nem ao que faz dentro do Teatro. Na era Pinamonti incluiu centenas de colaborações e de co-produções que asseguraram uma actividade quase diária. Nota-se que fala daquilo que não frequenta.
Pinamonti, neste "diz-que-diz", apresenta argumentos que são contundentes, tais como os que são reproduzidos a seguir, retirados da entrevista que concedeu esta semana ao PÚBLICO. À pergunta "O secretário de Estado quer "atrair novos públicos". Que diz?", ele responde:
Se me permite, isso são slogans sem conteúdo. Quando cheguei há seis anos havia 900 assinaturas, hoje há 2200. Só com os assinantes ocupamos mais de metade da sala em todas as récitas. A taxa de ocupação do São Carlos é hoje de 90 por cento, isto para mim é um grande exploit. É claro que dizer que o Estado paga 350 euros
por espectador como o Diário de Notícias faz hoje [ontem] é factual, mas injusto e uma operação de hermenêutica incorrecta, pois compara dados incomparáveis. Como se pode comparar o São Carlos à Ópera de Paris, que tem mais do que uma sala e ao todo 5000 lugares? E onde o lugar mais caro custa 150 euros, quando no São
Carlos são 60? Comparar o São Carlos com as óperas de Barcelona, Roma, Paris, Milão, é uma operação de má-fé. Temos que comparar o São Carlos com teatros comparáveis - o La Fenice, em Veneza, Bolonha, Toulouse. No Alla Scala há bilhetes a 240 euros. É interessante que Mário Vieira de Carvalho compare o São
Carlos com os teatros das grandes elites europeias, e use teatros para ricos como modelo.Alem disso, é demagógico. Quanto é que custa, por português, o Ministério da Cultura? Se continuamos neste caminho, é demagogia atrás de demagogia. O teatro lírico é um serviço público, como o de uma colectividade, como a universidade, é o Estado que tem que assumir os custos maiores, é claro que com uma boa gestão e eficácia. O São Carlos, nos seis anos que aqui estive, nunca se endividou e nunca pedidiu um reforço orçamental. Vieira de Carvalho quer que "o público não encontre a ópera fechada nem os bilhetes esgotados". Como se faz isso? Depois de ver que o público respondia bem comecei a aumentar o número de récitas de óperas como Così fan tutte, Turandot, La Traviata, L'Italiana in Algeri, que terá oito récitas, A Valquíria, que teve sete récitas, o ensaio geral aberto e mais duas transmissões no largo... É evidente que se poderia fazer mais mas é preciso mais orçamento.
3/13/2007
Pinamonti/Dammann
Agora, a Gürzenich-Orchester Köln, maravilhosamente dirigida por Markus Stenz... Para perceberem, é só clicar aqui e escutar algum excerto das sinfonias de Shostakovich tocadas por eles.
Ali, lembrei-me de uma conversa de escada que mantive com uma das violinistas da OSP, num dos intervalos da Valquíria. Coitada, estava à beira do esgotamento por culpa da prolixa pena wagneriana. Quando lhe contei que ia escutar a Tetralogia, ao vivo, interpretada ao longo de um fim de semana e por uma única orquestra achou, claro está, absolutamente impossível. Agora, com o anúncio da substituição de Paolo Pinamonti por Christoph Dammann, lembrei-me de novo da história. ¿Por qué será?
3/07/2007
3/06/2007
Dominación femenina

Pierre Bourdieu llegó a proponer la construcción de una historia de la ropa femenina como una historia del adiestramiento del cuerpo femenino. Graham Vick y Timothy O'Brien, en La Valquiria que está en escena en Lisboa, muestran los efectos ambivalentes de ese adiestramiento.
Casi diría que, por su parte, Vick está consiguiendo, además, realizar una "restauración" de la obra de Wagner.
Felizmente, a los tradicionalistas que no han apreciado las vamp-valquirias que se exhiben estos días por el São Carlos, siempre les quedará esto:
3/02/2007
Temos uma nova crítica na praça
2/21/2007
2/16/2007
Encontrei-me com Almada em Madrid

Ontem fiz parte de um júri de doutoramento na Universidad Complutense. A já Doutora María Palacios Nieto, docente da Universidad de Salamanca, defendeu uma dissertação dedicada ao denominado "Grupo de Los Ocho" e à sua actividade em Madrid entre 1923 e 1931. A tese está repleta de referências à crítica da época, pelo que se encontram, nas suas páginas, notícias da estreia de La Tragedia de doña Ajada, o poema bufo sinistro para canto, recitação, lanterna mágica e orquestra, resultado da colaboração entre o compositor Salvador Bacarisse, Almada Negreiros e o poeta Manuel Abril.
A obra provocou junto do público um dos raros escândalos musicais produzidos em Espanha. A partitura original encontra-se extraviada, pelo que a primeira versão da obra não foi discutida na tese. Conserva-se apenas a suite orquestral realizada por Bacarisse pouco tempo depois, talvez seguindo o conselho da crítica e do público mais conservadores que, na altura, não suportou a “marginalidade”, a “disparidade” do texto e dos desenhos em relação com a música. Queriam escutar a partitura com ouvidos “organicistas”, como se fosse uma peça de música absoluta. Bacarisse cedeu até ao ponto de colocar o número que tinha sido mais elogiado pelo seu efeito stravinskyano como final... A suite foi estreada um ano depois, em 1930, ao que se sabe, sem escândalo, mas também sem grande sucesso.
Ou seja, até certo ponto o causante – satisfeito, imaginamos – da reacção negativa do público foi o próprio Almada, juntamente com o poeta Manuel Abril. Adolfo Salazar escreveu isto a propósito do espectáculo original, nas páginas do prestigioso diário El Sol:
Verdadero espectáculo de teatro para niños, éstos le sabrán agradecer mejor su propósito que el sesudo y respetable público del Palacio de la Música, incapaz, por lo visto, de percibir el matiz grotesco de una cosa, o demasiado profundo para admitirlo...
(o retrato de Almada foi retirado deste anúncio da exposição El alma de Almada el impar..., onde foi possível ver os mencionados desenhos)
2/13/2007
Futurología del presente

La noticia de la semana pasada (aparte, evidentemente, de las votaciones en Turkmenistán en las que se ha elegido al sucesor del señor arriba inmortalizado, que, entre otros méritos legislativos, tuvo el de prohibir la ópera, el ballet, la música sinfónica, la música grabada en actos públicos y el tabaco precisamente el día en el que dejó de fumar) fue el anuncio del proyecto de EMI de comercializar su catálogo en mp3 y sin restricciones anti-copia.
El mes pasado, EMI llegó a un acuerdo con el buscador chino Baidu, el cuarto más visitado del mundo. El catálogo de artistas chinos de la discográfica se podrá escuchar (no descargar) gratis en Baidu y las dos empresas se repartirán las ganancias derivadas de la publicidad.
EMI se ha dejado de lamentos (los de la industria discográfica, cuya gallina de los huevos de oro ha sido fatalmente atropellada por el feo progreso) y ha pasado a la acción.
Pensemos en positivo. Siguiendo esta tendencia, podemos prever que en el futuro se atenuará (si es que no acaba con ella) la tortura indiferenciada que nos infringe periódicamente el lanzamiento de “hits” diversos (para ayudar, también estamos asistiendo al manso declive de las radios y de las tiendas de discos). Las minorías tendrán - ya tienen - un acceso más fácil a lo que les interesa.
Y, alcanzado el extremo de la trivialización mecánica del sonido, se volverá a apreciar plenamente el aura que sólo podemos encontrar en el momento mismo en que aquél es producido, en concierto o durante un espectáculo. De hecho, por ejemplo, los seguidores de DJs y las nuevas generaciones de amantes de la ópera hace tiempo que se han dado cuenta de que lo distinto es, precisamente, haber podido estar percibiendo “allí” lo que no se puede reproducir de ninguna manera.
2/12/2007
Retribuição
Por isto. Mas sem nenhum intuito utilitário: "La phrase qui coule! Je l'ai faite, mesure par mesure, m'aidant de l'andante du quintette pour clarinette de Mozart, et j'ai failli en crever..."
2/08/2007
2/04/2007
Programa de domingo
Toco tu boca, con un dedo todo el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar...O este cuento célebre, Casa Tomada, de 1946, incluido en Bestiario:
Nos gustaba la casa porque aparte de espaciosa y antigua...O las instrucciones de Conducta en los velorios:
No vamos por el anís, ni porque hay que ir. Ya se habrá sospechado: vamos porque no podemos soportar las formas más solapadas de la hipocresía...Basta con clicar aquí. Después, se puede ir aquí para leer o releer Las Ménades, incluido en Final del Juego, de 1956.
2/02/2007
Pizarro a través del éter
17.00 X Concierto de Europa
Recital de piano celebrado en St. John’s Smith Square de Londres el 19 de enero de 2006. Grabación de la BBC, Reino Unido.
DEBUSSY: Children’s Corner (16’51”), Le petit nègre (1’05”), La plus que lente (4’25”), Homenaje a Haydn (2’06”). RAVEL: Minueto sobre el nombre de Haydn (1’46”), Valses nobles y sentimentales (14’31”). DEBUSSY: Preludios. Libro I (39’11”). A. Pizarro (p.).
2/01/2007
Três propostas
La barbarie en escena

(más fotos, aquí)
La última ópera de Philip Glass tuvo su estreno americano el mes pasado, en Austin ("Sex, Death and Scissors"... un título fantástico, un poco surrealista y cinematográfico, claro). La guerra de Iraq la había convertido en una "patata caliente", lo que, aparentemente, sumado a las dificultades técnicas de su montaje, ha servido para explicar el vacío creado a su alrededor.
Con libreto basado en una obra de J. M. Coetzee, Waiting for the Barbarians surgió como resultado de un encargo del Theater Erfurt y tuvo bastante eco en su momento. Aunque cualquier reflexión sobre la opresión no tendría por qué asociarse exclusivamente con la administración Bush, lo cierto es que Glass hizo entonces explícita la conexión de su obra con Iraq.
Pensar en las implicaciones de este estreno me ha hecho sentir todavía más impaciencia en relación a la puesta en escena del Wozzeck, de Berg, en la versión de Calixto Bieito, estrenada el año pasado en el Liceu y presentada estos días en el Teatro Real. No he acabado todavía mi crónica sobre este montaje para Mundoclasico, donde esa impaciencia se transparenta en cada palabra.
Que, en 2007, una obra como la ópera de Glass pueda ser silenciada (o casi) en los Estados Unidos pone las cosas en una dimensión tal, que las denuncias de Bieito (y la forma como las presenta) se convierten en un juego de niños irrelevante. "Asustaviejas", como decían el el foro de Opera Actual.
A Festa da Música, de novo
Escutando a semana passada, retrospectivamente, o programa do Luís Caetano - "Um certo olhar" - em que se discutiu o "assunto" (graças aos podcasts, felizmente disponíveis aqui) chamou-me a atenção a dificuldade que os seus tertulianos e ele próprio tiveram para enumerar em termos explícitos - claros e distintos - os motivos do fim da Festa da Música em Lisboa: os cortes orçamentais? a vontade de deixar marca que têm todos os programadores? as limitações derivadas do folhetim Berardo?
Houve um momento em que o Luís colocou a questão do elitismo da classe musical portuguesa. O assunto não foi desenvolvido. Lembrei-me logo das seguintes palavras do secretário de estado, por sua vez ligadas com algumas das que pronunciou na altura a ministra, e publicadas, aquelas, no DN da sexta passada (esta parte da entrevista só saiu em papel): "[a Festa da Música] durava dois dias e mais ninguém falava nela. Criava-se a ilusão de termos uma grande cultura musical e que se criaria um público fantástico. Mas não é assim..."
Pois é. É que, se assim fosse, deveríamos reescrever a história, tarefa chata sem dúvida, e todos os nossos preconceitos elitistas (de uma elite da elite que vai à ópera, à diferença, e continuo a citar o secretário de estado, das "elites criadas após o 25 de Abril [que] ainda não vão à ópera, uma vez que não tiveram uma socialização primária com a família.") lá iriam eles, por água abaixo. Um mundo perfeito, onde se vai à ópera e se escuta música por herança familiar e, sei lá, porque se pertence a uma elite.
Acho que vou ligar para o ministério, para solicitar as referências das pesquisas sociológicas que comprovaram a alegada ausência de influência da Festa da Música. Se calhar, ainda aprendo alguma coisa.
1/30/2007
Pinamonti na Corunha
A minha ligação com A Corunha, sem ser demasiadamente profunda, vem de longe. Tenho acompanhado com entusiasmo os seus projectos culturais e considero-os um modelo, nomeadamente no que diz respeito à sua integração na cidade.
É também verdade que não moro lá, e talvez por isso a minha impressão seja demasiadamente optimista. Faço esta ressalva porque, ultimamente, algum aluno meu, galego, tem criticado certa tendência para a megalomania musical na Corunha. Mas, que querem que lhes diga, a ópera e a música sinfónica são megalómanas por definição. Sem os delírios de grandeza de Beethoven, Wagner ou Mozart, por exemplo, a nossa história cultural seria bastante diferente. Sei que a argumentação é circular. Ou seja: apreciar Mozart supõe um enorme investimento que só se faz... no caso de se apreciar Mozart. Este é, porém, outro assunto, fica para outro dia.
Voltando ao Festival Mozart e à Corunha, onde também reside a Orquesta Sinfónica de Galicia, uma das melhores de Espanha, cabe dar os parabéns aos responsáveis pela escolha de Paolo Pinamonti. Só O Rapto do Serralho, segundo Strehler, de 2005 ou o Così com que deu início a presente temporada no São Carlos seriam já razões para isso.
(o passarinho falador, que, nesta ocasião, era um passarinho galego, citava o Ópera e demais interesses, por supuesto)
Disse-me um passarinho...
1/27/2007
1/26/2007
Rosado en estado de gracia
En cerca de dos años, António Rosado ha lanzado en Portugal dos grabaciones excelentes dedicadas a la obra pianística del compositor Fernando Lopes-Graça. Editadas por la etiqueta Numérica, no me consta, infelizmente, que hayan traspasado las fronteras del país. La primera contiene la integral de las sonatas para piano y la segunda, las ocho suites escritas por Lopes-Graça In memoriam Béla Bartók.
Sobre las sonatas ya comenté alguna cosa en el Mil Folhas, el suplemento de cultura del periódico Público, cuando salieron. Son uno de los núcleos fundamentales de la producción pianística, de por sí relativamente vasta y significativa, de Lopes-Graça (cabe referir que el compositor era un buen pianista, formado en la escuela de José Viana da Mota). La primera de sus sonatas data de mediados de la década de los 30 y la última, de los 80. Fueron siendo compuestas, por lo tanto, a lo largo de cinco décadas, reflejando las transformaciones del estilo del compositor.
Las ocho suites constan de un total de cincuenta y cuatro piezas breves, organizadas según un criterio de dificultad progresiva. Eso puede explicar que una música que, en términos globales, en el primer CD es interesante, pase a ser fascinante en el segundo. António Rosado despliega en la interpretación de todas las piezas una variedad deslumbrante de recursos técnicos y expresivos, transformando cada uno de estos pequeños "momentos musicales" en algo único y especial.
(perdón por el aparecimiento/desaparecimiento de este post: no lo pude acabar ayer y lo publiqué sin querer, pensando que lo había guardado como borrador)
A arte da hermenêutica
Confirma, ainda, que o diálogo do actual director do Conselho Directivo do Teatro Nacional de São Carlos com a tutela é de surdos. Onde um fala de tempo e de dinheiro ("Uma fusão agora, nestas condições financeiras, é caminhar para o abismo"), o outro fala "apenas de projectos" (e de velocidades de cruzeiro, de contratos-programa definidos em dois meses, de "abertura" para a negociação de possíveis reforços financeiros, de que um repentino corte orçamental de 682 mil euros não é "razão" para a programação de um teatro ser alterada!).
1/23/2007
Ravel solar
Ray y Ruth
Uno de los más recientes lanzamientos de la Naxos es el segundo volumen de transcripciones pianísticas de obras de Bach en interpretaciones históricas. Ahí podemos encontrarnos, entre otros, con Egon Petri, Edwin Fischer y Percy Grainger. Valdría, sin embargo, la pena sólo por los tres cortes que ocupa el concierto para órgano en re menor BWV 596, un arreglo de uno de los conciertos para violín de Vivaldi (RV 565), a su vez, transcrito e interpretado por Ray Lev (en la foto) en 1946. Hacía tiempo que no me quedaba así, casi sin respiración, escuchando una grabación.

Hace poco, la Naxos sacó otro CD donde se incluye otra interpretación de la misma pianista, esta vez de una piececita de Prokofiev. Se trata del primer volumen de la serie "Women at the Piano", donde están representadas, entre otras, Guiomar Novaes, Myra Hess, Marguerite Long y Moura Lympany, además de otra pianista también impresionante: Ruth Slenczynska (en la segunda foto, con 8 años), a la que no conocía.
1/22/2007
Eu também lamento
O Henrique transcreveu neste post as declarações. E este é o esclarecimento de Pinamonti, enviado hoje pelo gabinete de comunicação do Teatro Nacional de São Carlos à imprensa:
Eu, Paolo Pinamonti, na qualidade de Director do Teatro Nacional de São Carlos, encomendei a Emmanuel Nunes uma ópera em Fevereiro de 2002. A encomenda foi aceite pelo compositor. Posteriormente, contactei a Fundação Calouste Gulbenkian e a Casa da Música para parceiros da encomenda e para co-produtores. É com satisfação registo que este projecto, por minha iniciativa e do São Carlos, se realiza com o apoio de duas importantes instituições musicais portuguesas e do IRCAM de Paris. Na qualidade de Director do Teatro Nacional de São Carlos tenho a responsabilidade de programar a actividade do Teatro e de avaliar as condições técnicas e artísticas de realização de cada projecto. Sempre foi assim e assim será de futuro, de resto, no âmbito do exercício normal das minhas competências. Entre Janeiro de 2003 e Setembro de 2004, a estreia da ópera foi adiada três vezes sucessivas a pedido do próprio compositor. Depois de ter sido concordada a nova data de 22 de Novembro de 2006, enviei ao compositor uma proposta de contrato, a 1 de Fevereiro de 2006, na qual, naturalmente, se encontravam definidas as datas para entrega dos materiais musicais. O compositor não assinou o contrato – até à data este permanece por assinar – e, mais uma vez, foi adiada a data de estreia. Depois de tantos adiamentos, foi meu entendimento que a estreia da ópera de Emmanuel Nunes teria de reunir todas as condições para se estrear no nosso Teatro, no final de Janeiro de 2008.
Lamento profundamente as afirmações proferidas pelo compositor Emmanuel Nunes ao jornal Público, nas quais transparece ter informações privilegiadas quanto a futuras mudanças na política do São Carlos.






