3/23/2007

bravopinamonti@gmail.com

COMUNICADO

Os signatários, exercendo ou tendo exercido a actividade de críticos musicais, seguiram com particular atenção ao longo de seis anos a programação do Teatro Nacional de São Carlos sob a direcção de Paolo Pinamonti. Como críticos, têm os signatários opiniões diferenciadas sobre as propostas artísticas dessa direcção e suas realizações. Mas nunca os signatários se haviam reunido como o fizeram para prestar o seu reconhecimento a Paolo Pinamonti, no momento em que vêem interrompida a continuidade de uma direcção que, face a repetidos constrangimentos orçamentais, tinha manifestado um esforço e uma imaginação continuadas em tentar responder às missões de um teatro nacional de ópera e aos níveis artísticos desejáveis.

Mais entendem os signatários não só não serem compreensíveis os termos expeditos com que a tutela dispensou quem tanto tinha prestigiado o São Carlos, como observam com preocupação que um exercício de arbitrariedade política possa interromper a continuidade de trabalhos artísticos, para mais constatando que os responsáveis do Ministério da Cultura procederam ao contrário do disposto no programa do governo, no sentido da existência de "direcções artísticas menos dependentes da lógica de nomeação governamental".

Nestas circunstâncias gravosas, entendem os signatários que é devida uma pública homenagem a Paolo Pinamonti, pelo que convidam todos os que se queiram associar para um jantar que terá lugar na próxima segunda-feira, dia 26, no Hotel Vila Galé Ópera (Travessa do Conde da
Ponte, junto ao edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa), pelas 20h30. As inscrições e confirmações poderão ser feitas através do mail: bravopinamonti@gmail.com , ou por sms para até ao próximo sábado, às 20h00. O pagamento, no valor de 26,5 euros, será efectuado à entrada.

Alexandre Delgado
Ana Rocha
Augusto M. Seabra
Bernardo Mariano
Cristina Fernandes
Henrique Silveira
João Paes
Jorge Calado
Maria Augusta Gonçalves
Rui Vieira Nery
Teresa Cascudo
Vanda de Sá

3/21/2007

Ondine

Et comme je lui répondais que j'aimais une mortelle,
boudeuse et dépitée, elle pleura quelques larmes,
poussa un éclat de rire, et s'évanouit en giboulées qui
ruisselèrent blanches le long de mes vitraux bleus.

Hmmm, primavera!



Es lo que queda después de un breve paseo por youtube buscando algo que reflejase ese particular estado de espíritu. No han pasado la criba ni la Varady, ni la Fleming cantando Strauss. Ni, mucho menos, el descubrimiento de que en Italia una canción bastante cursi que se titula "Maladetta Primavera" es una especie de clásico. Pero es que Sarah Vaughan es única.

Espero además que sea un feliz síntoma de que ya se me ha pasado el ataque de wagnerismo del que he estado aquejada durante los últimos días. Lo peor es que todavía tengo que mandar las críticas de la Valquiria de Vick y del Anillo de Colonia al editor de Mundo Clásico...

3/20/2007

Também há boas notícias

O Tónica Dominante está de regresso. Bem-vindo, de novo, à blogosfera!

Bem-vindo a Lisboa, Herr Dammann!

Compreendo os comentários do Araúxo. Gostava de partilhar o seu optimismo. Não posso, contudo, deixar de concordar com Augusto M. Seabra – o qual, com outras palavras, tem denunciado a estratégia de introdução de controleiros nas estruturas ministeriais de produção cultural - quando coloca o acontecido com Pinamonti nessa mesma linha de actuação.

Sobretudo, julgo que a ideia do novo teatro de ópera que vai nascer das suas cinzas após esta operação e que, entre outras coisas, vai atrair turistas, inovar “no repertório, na prática de encenação e de representação”, criar escola de canto e acalmar a sede de lírica das criancinhas portuguesas está muito próxima da alucinação. É megalómana e irrealista atendendo ao subfinanciamento histórico da instituição e, já agora, também às condições da própria estrutura e do edifício. Só pode acreditar nela quem não as conhece. Surpreendentemente, ou não, parece estar nesta situação o substituto de Pinamonti, o qual disse, por exemplo, na conferência de imprensa da semana passada que “caso as características técnicas do S. Carlos o permitam, é também seu desejo ter em cena duas produções em simultâneo”.

O que tem acontecido com Pinamonti tem, finalmente, alguma relação com o processo que levou, em 2003, Christoph Dammann para a Ópera de Colónia. A pessoa que tinha sido inicialmente indigitada para o lugar, Barbara Mundel, foi despedida sem explicações. O escândalo teve repercussões nacionais. Numa leitura positiva, o que se passou em Colónia em 2003 poderia indiciar que o novo responsável pelo São Carlos tem alguma habilidade pessoal para lidar com políticos: na altura era apenas um doutorado de 39 anos, sem experiência prévia no domínio da gestão de teatros de ópera. Hoje, os dados de que dispomos são os seguintes: Dammann aguentou-se no lugar apenas quatro anos; não conseguiu incrementar o orçamento destinado pela cidade à ópera; e, pelo que tenho lido e pelas minhas conversas de corredor em Colónia, sai dali sem deixar saudades.

3/16/2007

Mais do mesmo

Encontrei a resposta ao meu anterior post no PÚBLICO de ontem, numa peça onde se dá conta da morna reacçao que tem provocado em Colonia a saída de Dammann. Ou seja, confirma o que eu vi no passado fim de semana, no domínio resgringido da ópera, o que foi feito ali é comparable, quando não melhor, do que tem sido feito em Lisboa.

A diferença, essa, está na orquestra que, apesar de ligada ao teatro, tem conseguido graças ao seu maestro titular (e actualmente responsável artístico por toda a actividade musical da cidade de Colonia), Markus Stenz, apresentar um trabalho que começa a distingui-la no panorama europeu. Posso aliás imaginar que o próximo capítulo deste folhetim hermenêutico será o dedicado à articulação da Orquestra Sinfónica Portuguesa com o Teatro de Sao Carlos e à definição da partilha do espaço cultural e orçamental da capital pela OSP com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, também financiada pelo Ministério da Cultura.

E não, Eduardo Pitta: neste "diz-que-diz" há também argumentos. Fait divers são os dados que publicou no seu blog, com demagogia pseudoestatística. O São Carlos, como estrutura, não se reduz, nem à ópera, nem ao que faz dentro do Teatro. Na era Pinamonti incluiu centenas de colaborações e de co-produções que asseguraram uma actividade quase diária. Nota-se que fala daquilo que não frequenta.

Pinamonti, neste "diz-que-diz", apresenta argumentos que são contundentes, tais como os que são reproduzidos a seguir, retirados da entrevista que concedeu esta semana ao PÚBLICO. À pergunta "O secretário de Estado quer "atrair novos públicos". Que diz?", ele responde:

Se me permite, isso são slogans sem conteúdo. Quando cheguei há seis anos havia 900 assinaturas, hoje há 2200. Só com os assinantes ocupamos mais de metade da sala em todas as récitas. A taxa de ocupação do São Carlos é hoje de 90 por cento, isto para mim é um grande exploit. É claro que dizer que o Estado paga 350 euros
por espectador como o Diário de Notícias faz hoje [ontem] é factual, mas injusto e uma operação de hermenêutica incorrecta, pois compara dados incomparáveis. Como se pode comparar o São Carlos à Ópera de Paris, que tem mais do que uma sala e ao todo 5000 lugares? E onde o lugar mais caro custa 150 euros, quando no São
Carlos são 60? Comparar o São Carlos com as óperas de Barcelona, Roma, Paris, Milão, é uma operação de má-fé. Temos que comparar o São Carlos com teatros comparáveis - o La Fenice, em Veneza, Bolonha, Toulouse. No Alla Scala há bilhetes a 240 euros. É interessante que Mário Vieira de Carvalho compare o São
Carlos com os teatros das grandes elites europeias, e use teatros para ricos como modelo.Alem disso, é demagógico. Quanto é que custa, por português, o Ministério da Cultura? Se continuamos neste caminho, é demagogia atrás de demagogia. O teatro lírico é um serviço público, como o de uma colectividade, como a universidade, é o Estado que tem que assumir os custos maiores, é claro que com uma boa gestão e eficácia. O São Carlos, nos seis anos que aqui estive, nunca se endividou e nunca pedidiu um reforço orçamental. Vieira de Carvalho quer que "o público não encontre a ópera fechada nem os bilhetes esgotados". Como se faz isso? Depois de ver que o público respondia bem comecei a aumentar o número de récitas de óperas como Così fan tutte, Turandot, La Traviata, L'Italiana in Algeri, que terá oito récitas, A Valquíria, que teve sete récitas, o ensaio geral aberto e mais duas transmissões no largo... É evidente que se poderia fazer mais mas é preciso mais orçamento.

3/13/2007

Pinamonti/Dammann

Casualmente, cheguei ontem de Colónia . Fui ver o Anel-Compacto. Gostei mais do que tenho visto da encenação do Vick do que da de Carsen - que a Ópera de Colónia utiliza para esta maratona e que é, mesmo assim, boa - e os cantores foram, globalmente, comparáveis aos de Lisboa.

Agora, a Gürzenich-Orchester Köln, maravilhosamente dirigida por Markus Stenz... Para perceberem, é só clicar aqui e escutar algum excerto das sinfonias de Shostakovich tocadas por eles.

Ali, lembrei-me de uma conversa de escada que mantive com uma das violinistas da OSP, num dos intervalos da Valquíria. Coitada, estava à beira do esgotamento por culpa da prolixa pena wagneriana. Quando lhe contei que ia escutar a Tetralogia, ao vivo, interpretada ao longo de um fim de semana e por uma única orquestra achou, claro está, absolutamente impossível. Agora, com o anúncio da substituição de Paolo Pinamonti por Christoph Dammann, lembrei-me de novo da história. ¿Por qué será?

3/06/2007

Dominación femenina



Pierre Bourdieu llegó a proponer la construcción de una historia de la ropa femenina como una historia del adiestramiento del cuerpo femenino. Graham Vick y Timothy O'Brien, en La Valquiria que está en escena en Lisboa, muestran los efectos ambivalentes de ese adiestramiento.

Casi diría que, por su parte, Vick está consiguiendo, además, realizar una "restauración" de la obra de Wagner.

Felizmente, a los tradicionalistas que no han apreciado las vamp-valquirias que se exhiben estos días por el São Carlos, siempre les quedará esto:

3/02/2007

Temos uma nova crítica na praça

Laurinda Alves. Hoje, no novo Público colorido. Uma página só para ela. 2000 caracteres de prosa infantil e desajeitada dedicados à Valquíria. Às peças da secção de Cultura, despromovida ao mesmo P2, foi dado aproximadamente o mesmo espaço que a esta senhora.

2/16/2007

Encontrei-me com Almada em Madrid



Ontem fiz parte de um júri de doutoramento na Universidad Complutense. A já Doutora María Palacios Nieto, docente da Universidad de Salamanca, defendeu uma dissertação dedicada ao denominado "Grupo de Los Ocho" e à sua actividade em Madrid entre 1923 e 1931. A tese está repleta de referências à crítica da época, pelo que se encontram, nas suas páginas, notícias da estreia de La Tragedia de doña Ajada, o poema bufo sinistro para canto, recitação, lanterna mágica e orquestra, resultado da colaboração entre o compositor Salvador Bacarisse, Almada Negreiros e o poeta Manuel Abril.

A obra provocou junto do público um dos raros escândalos musicais produzidos em Espanha. A partitura original encontra-se extraviada, pelo que a primeira versão da obra não foi discutida na tese. Conserva-se apenas a suite orquestral realizada por Bacarisse pouco tempo depois, talvez seguindo o conselho da crítica e do público mais conservadores que, na altura, não suportou a “marginalidade”, a “disparidade” do texto e dos desenhos em relação com a música. Queriam escutar a partitura com ouvidos “organicistas”, como se fosse uma peça de música absoluta. Bacarisse cedeu até ao ponto de colocar o número que tinha sido mais elogiado pelo seu efeito stravinskyano como final... A suite foi estreada um ano depois, em 1930, ao que se sabe, sem escândalo, mas também sem grande sucesso.

Ou seja, até certo ponto o causante – satisfeito, imaginamos – da reacção negativa do público foi o próprio Almada, juntamente com o poeta Manuel Abril. Adolfo Salazar escreveu isto a propósito do espectáculo original, nas páginas do prestigioso diário El Sol:


Verdadero espectáculo de teatro para niños, éstos le sabrán agradecer mejor su propósito que el sesudo y respetable público del Palacio de la Música, incapaz, por lo visto, de percibir el matiz grotesco de una cosa, o demasiado profundo para admitirlo...

(o retrato de Almada foi retirado deste anúncio da exposição El alma de Almada el impar..., onde foi possível ver os mencionados desenhos)

2/13/2007

A notícia desta semana

Está de regresso! Ele!

Futurología del presente



La noticia de la semana pasada (aparte, evidentemente, de las votaciones en Turkmenistán en las que se ha elegido al sucesor del señor arriba inmortalizado, que, entre otros méritos legislativos, tuvo el de prohibir la ópera, el ballet, la música sinfónica, la música grabada en actos públicos y el tabaco precisamente el día en el que dejó de fumar) fue el anuncio del proyecto de EMI de comercializar su catálogo en mp3 y sin restricciones anti-copia.

El mes pasado, EMI llegó a un acuerdo con el buscador chino Baidu, el cuarto más visitado del mundo. El catálogo de artistas chinos de la discográfica se podrá escuchar (no descargar) gratis en Baidu y las dos empresas se repartirán las ganancias derivadas de la publicidad.

EMI se ha dejado de lamentos (los de la industria discográfica, cuya gallina de los huevos de oro ha sido fatalmente atropellada por el feo progreso) y ha pasado a la acción.

Pensemos en positivo. Siguiendo esta tendencia, podemos prever que en el futuro se atenuará (si es que no acaba con ella) la tortura indiferenciada que nos infringe periódicamente el lanzamiento de “hits” diversos (para ayudar, también estamos asistiendo al manso declive de las radios y de las tiendas de discos). Las minorías tendrán - ya tienen - un acceso más fácil a lo que les interesa.

Y, alcanzado el extremo de la trivialización mecánica del sonido, se volverá a apreciar plenamente el aura que sólo podemos encontrar en el momento mismo en que aquél es producido, en concierto o durante un espectáculo. De hecho, por ejemplo, los seguidores de DJs y las nuevas generaciones de amantes de la ópera hace tiempo que se han dado cuenta de que lo distinto es, precisamente, haber podido estar percibiendo “allí” lo que no se puede reproducir de ninguna manera.

2/12/2007

Retribuição



Por isto. Mas sem nenhum intuito utilitário: "La phrase qui coule! Je l'ai faite, mesure par mesure, m'aidant de l'andante du quintette pour clarinette de Mozart, et j'ai failli en crever..."

2/04/2007

Programa de domingo

Escuchar la voz de Julio Cortázar leyendo algunas de sus obras. Por ejemplo, este fragmento de la infinita Rayuela:
Toco tu boca, con un dedo todo el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar...
O este cuento célebre, Casa Tomada, de 1946, incluido en Bestiario:
Nos gustaba la casa porque aparte de espaciosa y antigua...
O las instrucciones de Conducta en los velorios:
No vamos por el anís, ni porque hay que ir. Ya se habrá sospechado: vamos porque no podemos soportar las formas más solapadas de la hipocresía...
Basta con clicar aquí. Después, se puede ir aquí para leer o releer Las Ménades, incluido en Final del Juego, de 1956.

2/02/2007

Pizarro a través del éter

A quien no pueda escucharlo hoy en Lisboa, en la Gulbenkian, tocando el primero de Tchaikovsky, siempre le quedará el sitio de Radio Clásica. A las 17h españolas, retransmiten el recital de piano que Artur Pizarro dio en St. John’s Smith Square de Londres el pasado 19 de enero de 2006. Supongo que forma parte de la integral de la obra pianística de Ravel y Debussy, que también realizó en Lisboa.

17.00 X Concierto de Europa
Recital de piano celebrado en St. John’s Smith Square de Londres el 19 de enero de 2006. Grabación de la BBC, Reino Unido.
DEBUSSY: Children’s Corner (16’51”), Le petit nègre (1’05”), La plus que lente (4’25”), Homenaje a Haydn (2’06”). RAVEL: Minueto sobre el nombre de Haydn (1’46”), Valses nobles y sentimentales (14’31”). DEBUSSY: Preludios. Libro I (39’11”). A. Pizarro (p.).

2/01/2007

Três propostas

Tchaikovsky por Artur Pizarro na Fundação Gulbenkian e, depois do jantar, mais música na Ler Devagar (aqui, vista por Pedro Mexia), que acolhe um concerto de Júlio Resende e Hugo Antunes. Na Rua da Rosa, 145.

La barbarie en escena


(más fotos, aquí)

La última ópera de Philip Glass tuvo su estreno americano el mes pasado, en Austin ("Sex, Death and Scissors"... un título fantástico, un poco surrealista y cinematográfico, claro). La guerra de Iraq la había convertido en una "patata caliente", lo que, aparentemente, sumado a las dificultades técnicas de su montaje, ha servido para explicar el vacío creado a su alrededor.

Con libreto basado en una obra de J. M. Coetzee, Waiting for the Barbarians surgió como resultado de un encargo del Theater Erfurt y tuvo bastante eco en su momento. Aunque cualquier reflexión sobre la opresión no tendría por qué asociarse exclusivamente con la administración Bush, lo cierto es que Glass hizo entonces explícita la conexión de su obra con Iraq.

Pensar en las implicaciones de este estreno me ha hecho sentir todavía más impaciencia en relación a la puesta en escena del Wozzeck, de Berg, en la versión de Calixto Bieito, estrenada el año pasado en el Liceu y presentada estos días en el Teatro Real. No he acabado todavía mi crónica sobre este montaje para Mundoclasico, donde esa impaciencia se transparenta en cada palabra.

Que, en 2007, una obra como la ópera de Glass pueda ser silenciada (o casi) en los Estados Unidos pone las cosas en una dimensión tal, que las denuncias de Bieito (y la forma como las presenta) se convierten en un juego de niños irrelevante. "Asustaviejas", como decían el el foro de Opera Actual.

A Festa da Música, de novo

Tinha-me prometido não tocar mais no assunto apenas por uma questão pessoal : fico zangada e isso é muito pouco profissional. Mas há pouco, quando liguei a rádio, lá assomou a voz do João Almeida a falar de Nantes. Dvorak, a "valsa triste", como sintonia das transmissões em directo da Folle Journée... Apropriado.

Escutando a semana passada, retrospectivamente, o programa do Luís Caetano - "Um certo olhar" - em que se discutiu o "assunto" (graças aos podcasts, felizmente disponíveis aqui) chamou-me a atenção a dificuldade que os seus tertulianos e ele próprio tiveram para enumerar em termos explícitos - claros e distintos - os motivos do fim da Festa da Música em Lisboa: os cortes orçamentais? a vontade de deixar marca que têm todos os programadores? as limitações derivadas do folhetim Berardo?

Houve um momento em que o Luís colocou a questão do elitismo da classe musical portuguesa. O assunto não foi desenvolvido. Lembrei-me logo das seguintes palavras do secretário de estado, por sua vez ligadas com algumas das que pronunciou na altura a ministra, e publicadas, aquelas, no DN da sexta passada (esta parte da entrevista só saiu em papel): "[a Festa da Música] durava dois dias e mais ninguém falava nela. Criava-se a ilusão de termos uma grande cultura musical e que se criaria um público fantástico. Mas não é assim..."

Pois é. É que, se assim fosse, deveríamos reescrever a história, tarefa chata sem dúvida, e todos os nossos preconceitos elitistas (de uma elite da elite que vai à ópera, à diferença, e continuo a citar o secretário de estado, das "elites criadas após o 25 de Abril [que] ainda não vão à ópera, uma vez que não tiveram uma socialização primária com a família.") lá iriam eles, por água abaixo. Um mundo perfeito, onde se vai à ópera e se escuta música por herança familiar e, sei lá, porque se pertence a uma elite.

Acho que vou ligar para o ministério, para solicitar as referências das pesquisas sociológicas que comprovaram a alegada ausência de influência da Festa da Música. Se calhar, ainda aprendo alguma coisa.

1/30/2007

Pinamonti na Corunha

E o Teatro de São Carlos acaba de enviar a correspondente nota de imprensa, dando a notícia. Não se diz se Pinamonti "troca" ou "combina" ambas as cidades.

A minha ligação com A Corunha, sem ser demasiadamente profunda, vem de longe. Tenho acompanhado com entusiasmo os seus projectos culturais e considero-os um modelo, nomeadamente no que diz respeito à sua integração na cidade.

É também verdade que não moro lá, e talvez por isso a minha impressão seja demasiadamente optimista. Faço esta ressalva porque, ultimamente, algum aluno meu, galego, tem criticado certa tendência para a megalomania musical na Corunha. Mas, que querem que lhes diga, a ópera e a música sinfónica são megalómanas por definição. Sem os delírios de grandeza de Beethoven, Wagner ou Mozart, por exemplo, a nossa história cultural seria bastante diferente. Sei que a argumentação é circular. Ou seja: apreciar Mozart supõe um enorme investimento que só se faz... no caso de se apreciar Mozart. Este é, porém, outro assunto, fica para outro dia.

Voltando ao Festival Mozart e à Corunha, onde também reside a Orquesta Sinfónica de Galicia, uma das melhores de Espanha, cabe dar os parabéns aos responsáveis pela escolha de Paolo Pinamonti. Só O Rapto do Serralho, segundo Strehler, de 2005 ou o Così com que deu início a presente temporada no São Carlos seriam já razões para isso.

(o passarinho falador, que, nesta ocasião, era um passarinho galego, citava o Ópera e demais interesses, por supuesto)

Disse-me um passarinho...

que Paolo Pinamonti troca Lisboa por Corunha, como director artístico do Festival Mozart a partir de Julho de 2007.

1/26/2007

Rosado en estado de gracia

Y después de hablar sobre Artur Pizarro es casi inevitable hablar sobre António Rosado. En realidad, hay otras razones de mayor peso para comentar la carrera de Rosado, quien, a pesar de ser uno de mis pianistas preferidos, no había salido nunca en este blog. Y eso que algunos de los mejores conciertos a los que he asistido en los últimos meses lo tuvieron a él como protagonista. La ausencia dice bastante de la desorganización editorial que por aquí reina.

En cerca de dos años, António Rosado ha lanzado en Portugal dos grabaciones excelentes dedicadas a la obra pianística del compositor Fernando Lopes-Graça. Editadas por la etiqueta Numérica, no me consta, infelizmente, que hayan traspasado las fronteras del país. La primera contiene la integral de las sonatas para piano y la segunda, las ocho suites escritas por Lopes-Graça In memoriam Béla Bartók.

Sobre las sonatas ya comenté alguna cosa en el Mil Folhas, el suplemento de cultura del periódico Público, cuando salieron. Son uno de los núcleos fundamentales de la producción pianística, de por sí relativamente vasta y significativa, de Lopes-Graça (cabe referir que el compositor era un buen pianista, formado en la escuela de José Viana da Mota). La primera de sus sonatas data de mediados de la década de los 30 y la última, de los 80. Fueron siendo compuestas, por lo tanto, a lo largo de cinco décadas, reflejando las transformaciones del estilo del compositor.

Las ocho suites constan de un total de cincuenta y cuatro piezas breves, organizadas según un criterio de dificultad progresiva. Eso puede explicar que una música que, en términos globales, en el primer CD es interesante, pase a ser fascinante en el segundo. António Rosado despliega en la interpretación de todas las piezas una variedad deslumbrante de recursos técnicos y expresivos, transformando cada uno de estos pequeños "momentos musicales" en algo único y especial.

(perdón por el aparecimiento/desaparecimiento de este post: no lo pude acabar ayer y lo publiqué sin querer, pensando que lo había guardado como borrador)

A arte da hermenêutica

A entrevista dada pelo Secretário e Estado hoje ao DN torna mais pertinente, se cabe, a série de artigos dedicados à gestão da ópera publicados este mês por Augusto M. Seabra no sítio da Culturgest. Ponderem, para comprová-lo, o conteúdo das seguintes afirmações: "O São Carlos não é para servir o projecto do director artístico. Este é que serve o projecto do São Carlos. E este é definido pelo Governo."

Confirma, ainda, que o diálogo do actual director do Conselho Directivo do Teatro Nacional de São Carlos com a tutela é de surdos. Onde um fala de tempo e de dinheiro ("Uma fusão agora, nestas condições financeiras, é caminhar para o abismo"), o outro fala "apenas de projectos" (e de velocidades de cruzeiro, de contratos-programa definidos em dois meses, de "abertura" para a negociação de possíveis reforços financeiros, de que um repentino corte orçamental de 682 mil euros não é "razão" para a programação de um teatro ser alterada!).

1/23/2007

Ravel solar

El de Artur Pizarro, por supuesto. Acabo de encontrarme con el anuncio del lanzamiento del primer volumen de su integral raveliana. Está en la página de la Linn Records, donde se pueden escuchar fragmentos de todos los cortes mientras se espera hasta el 5 de febrero.

Moby Dick no São Luiz



A não perder. Algumas das razões estão aqui e aqui. Encena António Pires.

Ray y Ruth



Uno de los más recientes lanzamientos de la Naxos es el segundo volumen de transcripciones pianísticas de obras de Bach en interpretaciones históricas. Ahí podemos encontrarnos, entre otros, con Egon Petri, Edwin Fischer y Percy Grainger. Valdría, sin embargo, la pena sólo por los tres cortes que ocupa el concierto para órgano en re menor BWV 596, un arreglo de uno de los conciertos para violín de Vivaldi (RV 565), a su vez, transcrito e interpretado por Ray Lev (en la foto) en 1946. Hacía tiempo que no me quedaba así, casi sin respiración, escuchando una grabación.



Hace poco, la Naxos sacó otro CD donde se incluye otra interpretación de la misma pianista, esta vez de una piececita de Prokofiev. Se trata del primer volumen de la serie "Women at the Piano", donde están representadas, entre otras, Guiomar Novaes, Myra Hess, Marguerite Long y Moura Lympany, además de otra pianista también impresionante: Ruth Slenczynska (en la segunda foto, con 8 años), a la que no conocía.

1/22/2007

Eu também lamento

Por causa do respeito que me merece o compositor Emmanuel Nunes, não posso deixar de lamentar o teor do depoimento que deu a semana passada ao jornal PÚBLICO, sob o pretexto do ciclo que lhe está a ser dedicado na Casa da Música. É no mínimo deselegante o que disse a propósito de Paolo Pinamonti, e são indignas as suas "provas". Nunes deixou aliás ficar muito mal quem lhe segredou os desígnios - ministeriais, podemos supor - que farão mudar a política do São Carlos "brevemente" e que tornarão possível, na versão dos factos por ele apresentada, a montagem da sua ópera em 2008.

O Henrique transcreveu neste post as declarações. E este é o esclarecimento de Pinamonti, enviado hoje pelo gabinete de comunicação do Teatro Nacional de São Carlos à imprensa:

Eu, Paolo Pinamonti, na qualidade de Director do Teatro Nacional de São Carlos, encomendei a Emmanuel Nunes uma ópera em Fevereiro de 2002. A encomenda foi aceite pelo compositor. Posteriormente, contactei a Fundação Calouste Gulbenkian e a Casa da Música para parceiros da encomenda e para co-produtores. É com satisfação registo que este projecto, por minha iniciativa e do São Carlos, se realiza com o apoio de duas importantes instituições musicais portuguesas e do IRCAM de Paris. Na qualidade de Director do Teatro Nacional de São Carlos tenho a responsabilidade de programar a actividade do Teatro e de avaliar as condições técnicas e artísticas de realização de cada projecto. Sempre foi assim e assim será de futuro, de resto, no âmbito do exercício normal das minhas competências. Entre Janeiro de 2003 e Setembro de 2004, a estreia da ópera foi adiada três vezes sucessivas a pedido do próprio compositor. Depois de ter sido concordada a nova data de 22 de Novembro de 2006, enviei ao compositor uma proposta de contrato, a 1 de Fevereiro de 2006, na qual, naturalmente, se encontravam definidas as datas para entrega dos materiais musicais. O compositor não assinou o contrato – até à data este permanece por assinar – e, mais uma vez, foi adiada a data de estreia. Depois de tantos adiamentos, foi meu entendimento que a estreia da ópera de Emmanuel Nunes teria de reunir todas as condições para se estrear no nosso Teatro, no final de Janeiro de 2008.

Lamento profundamente as afirmações proferidas pelo compositor Emmanuel Nunes ao jornal Público, nas quais transparece ter informações privilegiadas quanto a futuras mudanças na política do São Carlos.

Normalidade e downsizing

Na quinta passada, no artigo de Paulo Rangel (sem link, no PÚBLICO, claro), comentava-se a mania compulsiva que têm os Governos de sublinhar que está tudo dentro da ordem democrática quando algum dos órgãos do Estado, exercendo as suas funções, reage perante uma das suas decisões. Por causa desse artigo, achei ainda mais piada, algumas páginas depois, a este comentário da responsável pelo gabinete de comunicação do Ministério da Cultura: "São situações normais, é o funcionamento da democracia". Vinha a propósito do esclarecimento solicitado por três diputados do PS a propósito da fusão do São Carlos com a Companhia Nacional de Bailado.

Hoje, também no PÚBLICO, Tiago Bartolomeu Costa (do excelente O Melhor Anjo), opina sobre a tal fusão. Fala em dinheiro, como era de esperar, assinalando o fundamental: "o modelo [de fusão] proposto pelo MC tem como exemplos a Ópera de Paris, o La Scala e a Royal Opera House de orçamentos cinco vezes superiores ao acumulado CNB/TNSC". Os números que o Tiago aponta no seu artigo dão, de facto, que pensar, porque colocam a questão da margem orçamental que um teatro ou uma companhia de bailado precisam para ser verdadeiramente eficientes, ou seja, para que do investimento que se faz neles se obtenha algum retorno. Assim, o 75% do orçamento do CNB destina-se a despesas fixas, o que é uma espécie de estrangulamento do que deveria ser a sua finalidade principal, à qual se dedica apenas o 25% restante. Afinal de contas, poupar sai caro.

O Tiago (tal como José Sasportes, neste artigo publicado pontualmente no DN) fala dos efeitos que a fusão numa nova estrutura denominada OPART poderá vir a ter na perspectiva do CNB. Paolo Pinamonti já referiu em várias entrevistas as consequências na perspectiva do TNSC. Por exemplo, nesta, também publicada pelo DN.

Já se conhece, pelo que está a acontecer há anos com a OSP, o efeito do downsizing na sua versão anoréxica no âmbito da gestão cultural tutelada pelo Ministério. Por analogia, o exemplo parece confirmar as previsões no que diz respeito à CNB. A indefinição absoluta da OSP enquanto agrupamento deriva-se directamente da sua fusão com o Teatro Nacional de São Carlos. Desapareceu aquele horroroso "Orquestra Sinfónica Portuguesa do Teatro Nacional do São Carlos", mas, mesmo assim, o seu perfil artístico não existe. É aliás de temer que, a seguir, os responsáveis por esta situação, deitando a mão à retórica do mercado, tão à la page, acabem por chegar rapidamente à conclusão de que ter uma orquestra sinfónica é um "desperdício", incongruente numa nova estrutura vocacionada para a "produção" artística". Tudo o que pode piorar, piora...

1/16/2007

Uma forma de plágio

O amigo e colega de blogosfera Arauxo comenta neste post os acontecimentos derivados do último artigo dominical do provedor do jornal PÚBLICO. Depois de ter lido o seu artigo, fui ver o blog do dito provedor, porque o assunto me interessa muito. Isto é compreensível, na medida em que passo muito tempo a escrever textos que, inevitavelmente, se baseiam em informação proveniente de fontes muito diversas. Estando de acordo na premissa fundamental (plagiar é uma coisa muito feia, sim senhor), acho, porém, bastante descabidos os desenvolvimentos deste caso, o affaire Barata, resumido, de resto, pelo Arauxo.

Fui buscar mais alguma informação referente à jornalista do San Antonio Express News que tinha sido despedida por não citar a wikipedia. Acontece que a tal jornalista assinava regularmente uma coluna de opinião e que esta era a terceira vez que copiava literalmente e sem citar frases inteiras de fontes alheias. Parece-me que não é justo fazer equivaler uma coluna de opinião a uma coluna de apoio a uma peça jornalística de carácter divulgativo no domínio das ciências da saúde. E este excesso faz-me perguntar, já agora, quem é que nos protege do provedor?

O senso comum faz-me pensar que os factos unanimemente aceites, por um lado, e as ideias e conclusões, por outro, não pertencem à mesma categoria quando estamos a falar de plágio. Este, aliás, pode apresentar muitas formas.

Há tempos, lembro-me de ter achado estranha a menção, numa coluna de apoio a um texto principal relativa à vida e à obra de um compositor, a referência à versão compacta das entradas biográficas do Grove, antigamente disponíveis na net (digo antigamente porque agora não fui capaz de encontrar nenhum exemplo).

Será preciso citar uma fonte para afirmar que Beethoven escreveu nove sinfonias? Ainda, citar, por exemplo, a última edição do Grove, seria compreensível, porque supunha um acrescimo de informação. Mas ser obrigatório citar uma fonte que informa sobre um facto que, por sua vez, pode ser recolhido em múltiplas fontes? É um bocadinho ridículo.

Seja como for, a decisão é de natureza editorial e pode ser tomada, em benefício da transparência, depois de ter sido chamada a atenção para a omissão em causa. O que não se explica é que uma coisa destas se transforme numa espécie de caçada inquisitorial com direito à divulgação pública de mails que, mais uma vez, o senso comum coloca no domínio do privado. O PÚBLICO não é o Estado!

Depois da inanidade do affaire Equador discutido na mesma coluna do provedor (no blog aparece o epílogo, no post "A frase a mais"), parece que este queira deixar claro que conhece perfeitamente a definição do termo plágio.

Obviamente, este último comentário foi publicado "sem a devida confirmação em duas fontes diferentes e independentes entre si"! (fonte: Livro de Estilo do jornal PÚBLICO, onde se diz a propósito do "plágio": "O plágio é terminantemente proibido no PÚBLICO. Todas as informações recolhidas noutros órgãos de comunicação ou fornecidos por agências de notícias — no caso de relevância manifesta — devem ser sempre devidamente atribuídas. Ganha-se em credibilidade e vence-se noutra frente: na imagem de um jornal que dispensa a leitura de qualquer outro.")

De arcaismo e de tecnologia




Pascal Dusapin, hoje no Público (sem link), a propósito da sua Medea, amanhã em estreia na Casa da Música:

Eu fiquei muito tocado pela Media do Pasolini. Quando vemos esse filme [realizado em 1969], percebemos que o verdadeiro problema é que Medeia representa um mundo arcaico, alimentado de símbolos e de ritos, e que Jasão, no seu desejo de conquista, existe em todo o lado e representa um mundo cada vez mais tecnológico. Um dos problemas do mundo actual, a que há que fazer face, é que ele valoriza essa dimensão tecnológica mas fundamenta-se em valores extremamente arcaicos. Quando penso na questão do Médio Oriente, em que uma parte da população é capaz, hoje em dia, de se autodestruir para fazer valer as suas convicções..

De estradas rápidas

Os Contos Fantásticos, de Luís Tinoco, poderiam ser colocados no âmbito da relação entre ópera e cinema. Uso, porém, o termo ópera com enorme flexibilidade, já que, de facto, a voz humana que se ouve é a de um actor e os músicos da orquestra, em palco, são também personagens. Ainda, o que é paradoxal, é que custa imaginá-los reproduzidos em duas dimensões, limitados num ecrã.

Uma das peças intitula-se “A estrada rápida”. A partir de um texto de Terry Jones (actor, realizador e escritor britânico, membro do grupo Monthy Python), essa fábula relata-nos a história de uma menina que, de forma inexplicável, viaja a velocidade vertiginosa através de uma via rápida, atingindo espaços desconhecidos e vivendo situações assombrosas. A sensação da deslocação súbita apresenta também analogias com a maneira como pode abordada na escuta Round Time, a segunda obra orquestral de Tinoco, escrita em 2002. Cores, e espaços são apresentados a longo do único andamento de que consta a obra com uma rapidez alucinante, mediante sucessivos impulsos, estruturas acumulativas e gestos ascendentes. Em ambos os casos, é conseguido um momento - e um espaço - único e impossível de reconstituir através de meios de reprodução mecánica, ao mesmo tempo que se transmite ligeireza, impacto, espectáculo.

Luís Tinoco sublinha que em Round Time se preocupou principalmente com o que ele denomina “problemas de dimensão”: a dimensão vertical – o que fazer com tantos instrumentos? – e a dimensão horizontal – como controlar os recursos da orquestra no tempo?. A dimensão horizontal é aquela que se apreende mais facilmente numa primeira audição, ao longo da qual se torna evidente o efeito de continuum em que, usando as palavras de Tinoco, “se encadeiam uma série de eventos sonoros dotados de visualidade, de certo modo como um conjunto de painéis de um políptico”.

O políptico organiza-se mediante referências, subtis e não explicitadas pelo compositor, a uma espécie de sinfonia, que começa com um primeiro minuto de pura magia sonora. Depois desta introdução, que tem a virtude de nos colocar perante o nascimento de um acontecimento sonoro que tem qualquer coisa de matérico, encontramos os gestos enfáticos que associamos tradicionalmente ao primeiro andamento em forma de sonata. A seguir, temos uma espécie de scherzo em que se evidencia as técnicas de escrita repetitiva, um momento de serenidade e, por último, um finale que, embora preparado de forma evidente, nos conduz à súbita desaparição do som. Este deixa de existir de forma tão misteriosa como quando, no início, surgiu do nada.

Pode ser, ainda, escutado como uma viagem pelas memórias que preenchem a paisagem sonora do século XX: de Stravinsky a Ligeti, de Copland a Adams, do jazz à música electrónica.

1/15/2007

Blockbuster opera

Começo a pensar que estou com um sentido de humor péssimo ou, então, críptico (o que vem dar ao mesmo, dito seja de passagem). O meu post anterior não pretendia realmente começar nenhuma polémica. Daí o uso do termo “polemicar”, uma citação de Lopes-Graça que se referia às suas discussões jornalísticas com Rui Coelho com o termo “polemicadas”. E, desculpem a digressão, também não queria defender Saramago, o qual, para além de se defender muito bem a si próprio, não se conta entre as minhas preferências, apenas por mera incompatibilidade. Explico-me: eu gosto de Michaux, de Cortázar e de Capote o que é, de todo, inconciliável com a prosa do escritor luso.

O que andava a tentar evidenciar era a partilha de tipos de argumentos ou, menos pretensiosamente, de temas nas recepções mais ou menos críticas, e por vezes antagónicas, a duas óperas recentes. A primeira viu-se em Lisboa e em Milão, enquanto a segunda apenas foi apresentada em Nova Iorque. Esta última - The First Emperor, com música de Tan Dun - foi transmitida através da rádio no sábado passado.

A impressão que ficou foi a evidente: a intenção do compositor de fundir o drama lírico com referências à imagem sonora da China e uma produção típica da antiga grand opéra, historicista e servida por meios materiais estonteantes (10 anos de trabalho e custos que se elevam aos 2 milhões de dólares). A ópera colocou-se, portanto, na órbita do cinema, oferecendo inclusivamente uma estrela da craveira de Plácido Domingo como cabeça de cartaz. Não é, de todo, um fenómeno novo: ópera e cinema têm-se olhado mutuamente desde sempre.

Hoje em dia, o desafio deveria resultar ainda mais estimulante, perante vídeos como os que se seguem, criados com ferramentas que fazem de quem as usa uma espécie de deus sem limites.

1/10/2007

Todavía más maleficios

Y, por si fuera poco youtube, la integral de la obra de Mozart y el google de los libros, hace casi un año se estrenó en la red el International Music Score Library Project.

1/09/2007

De dissolutos e de imperadores

Como ando de rastos no statcounter, achei que seria uma boa estratégia polemicar um bocadinho com o Henrique. Trata-se de uma falsa polémica, claro: mas todos sabemos que este é um detalhe negligenciável quando falamos de audiências!

No seu blog lembrou o esquecimento a que todos – acho eu – votamos a estreia da ópera Il Dissoluto Assolto no Scala. De facto, na estreia, perante a presença dos autores, houve, conforme a fonte, vaias ou alguns assobios. No entanto, alguma outra crónica, aparentemente a propósito da mesma récita, não menciona o facto. O autor desta última crítica refere a perplexidade do público, que, segundo narra outra fonte, saiu como se fosse perder o último metro para chegar a casa. The Opera Critic também usa a palavra perplexidade para descrever a reacção do público a propósito da récita do dia 28.

No que diz respeito à obra, encontram-se comentários negativos a propósito do libreto e na avaliação global da montagem (fica a ideia de ter sido mortalmente aborrecida) e bastantes elogios à partitura. A mais grave crítica feita, não apenas ao texto, mas também ao próprio Saramago, é a que acusa a ambos de ingenuidade, o que, convenhamos, sendo suscitado por uma “releitura” do mito de Don Juan é bastante pouco simpático… No entanto, também houve quem não manifestasse nenhum reparo ao libreto. Já agora, o Henrique errou na sua profecia: não foi preciso esperar 100 anos, a ópera já foi objecto de uma comunicação apresentada num congresso de semiótica.

O erro do alinhamento (tal como em Lisboa, Il Dissoluto foi interpretado juntamente com a Sancta Susanna, de Hindemith) foi assinalado como motivo do insucesso global do espectáculo neste blog italiano. O argumento mistura-se com a reivindicação da produção dramática dos compositores italianos modernistas, nomeadamente, e com justiça, de Dallapiccola. Curiosamente, em Lisboa, houve quem avaliasse positivamente o texto de Saramago e negativamente a partitura de Corghi, aproveitando o ensejo para chamar a atenção para a produção musical portuguesa mais recente. Pode se comprovar neste artigo, assinado por Augusto M. Seabra.

Sabemos que o Scala tinha atravessado uma grave crise nos meses anteriores, que o seu público não é demasiado "aficionado" às novidades e que nas estreias de obras contemporâneas é bastante habitual a reacção perplexa de plateias quase vazias. Nada de novo, misturado, ainda, com a possibilidade de que na censura/elogio a Saramago haja motivações políticas e de que os elogios italianos a Corghi se devam a uma forma de proteccionismo cultural de carácter nacionalista.

Será, por isso, talvez, interessante comparar também o affaire milanês do Dissoluto Assolto com as reacções perante a recente estreia da ópera The First Emperor, de Tan Dun, no Metropolitan. Comparem-se aliás as dos críticos dos jornais de referência (este é um exemplo e este, outro) com a da crítica quase-blogosférica da Newmusicbox, que se remata, precisamente, com um debate acerca da utilidade dos críticos. Resumindo, para quem não tiver paciência: quem não gostou, compara The First Emperor com uma chávena de chá morno, embora salve (tal como aconteceu na estreia milanesa do Dissoluto Assolto, de resto) o empenhamento dos intérpretes, quem dá o benefício da dúvida, destaca os momentos bons da partitura e a necessidade de que os teatros de ópera promovam de forma regular as novas obras de compositores contemporâneos com o argumento, razoável, de que essa é a única forma de ganhar experiência no meio. Aplica-se particularmente aos romancistas metidos a libretistas!

Agora, serão os grandes teatros os responsáveis por incentivar estas tentativas? De facto - e tal como Augusto M. Seabra refere na crónica antes mencionada - uma das experiências de "teatro-musical" ultimamente mais bem sucedidas em Lisboa foram os fantásticos Contos Fantásticos estreados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa no Teatro de São Luiz em 2006 (e que voltarão a ser montados em Fevereiro). Mas não são ópera.

Só mais uma coisita., Duvido que haja mais oportunidades de ver/escutar a obra da dupla Corghi/Saramago. A ópera de Tan Dun poderá ser escutada este sábado em directo do Met, pelas 18h30 portuguesas (por exemplo, através do site da Rádio Clásica espanhola). Plácido Domingo é o protagonista.

Lopes-Graça no Notas Soltas

Durante 2006, o Notas Soltas, o webzine do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian, tem vindo a publicar uma série de artigos sobre a obra de Fernando Lopes-Graça, tal como se fez em 2002 para assinalar a passagem dos dez anos do falecimento de Olivier Messiaen. O resultado pode ser lido aqui.

1/08/2007

Más maleficios de internet

Para comenzar el año, un post fácil.

Después de youtube y de las obras completas de Mozart a golpe de click, sólo nos faltaba esto. No tienen el olor y el tacto de los libros, pero no pasa nada (ya estoy en la edad en la que parece conveniente convencerse de que lo mejor suele ser enemigo de lo bueno!).

2007

Here we go!

12/14/2006

Enjoy Dutch Dance en Sa Màniga

Hace ya unos días que quería comentar una excelente iniciativa que hemos tenido oportunidad de disfrutar en el Auditòrium de Sa Màniga en Cala Millor (Mallorca). Desde hace unos años Pere Santandreu , gerente del Auditòrium, viene organizando con sumo esmero el Festival Internacional Dansamàniga que ofrece cada temporada un amplio abanico de variadas propuestas (ballet clásico, danza contemporánea, flamenco, etc) a cargo de compañías insulares, peninsulares e internacionales.

Dentro de la actual temporada, el pasado 17 de noviembre tuvimos ocasión de asistir a la única actuación en España de la compañía holandesa Introdans (Ensemble forYouth) que ofreció de manera muy asequible e inteligente una buena muestra de la mejor danza contemporánea holandesa. Nos sorprendió enormemente el elevado nivel técnico de los bailarines en unos montajes en los que la presencia del humor y del toque festivo tenían un destacado papel. El espectáculo también nos brindó la oportunidad de conocer los trabajos coreográficos de Mats Ek, Daniël Ezralow, Robert Battle (autor de la coreografia del impresionante Final sounds que levantó literalmente al público de sus asientos) y, sobre todo, de Jirí Kylián. Kylián es autor de tres coreografías que se bailaron esa noche: Dream dances sobre música folclórica nórdica (si recuerdo bien), Evening songs sobre música de Dvorák y Symphony in D de Haydn. Sin duda fue de lo mejor de la noche. Para los que no sepan nada de Kylian, Arthaus tiene en su catálogo un par de referencias: un DVD con coreografías de Janácek, Haydn y Chávez, así como un estuche de 4 DVD's con L'Histoire du soldat, Kaguyahime y Black & White.

12/06/2006

Transparencia que deslumbra











Parece que sigo en una de pianistas. Y todavía me falta contar lo que me traje del congreso sobre Chopin realizado en Varsovia, aunque no es que sea mucho. Mientras me decido a hacerlo, continuo también llamando la atención hacia las magníficas grabaciones que mensualmente lanza la Naxos. La editora prosigue en su trayectoria ascendente, al mismo tiempo que otras compañías están en pleno "downsizing process", tal como la Sony, en lo que se refiere a la clásica.

Entre los lanzamientos previstos por la Naxos para el próximo mes de enero se cuenta este primer volumen dedicado a la música para piano de Manuel de Falla, interpretada por Daniel Ligorio Ferrándiz. El CD vale sobre todo por los cerca de 15 minutos que duran las Cuatro piezas españolas.

12/05/2006

Haskil, pianista sensible



















Maravilla reciente, incluida en la colección Original Masters, de la Decca.

No pasa nada
















Llego de viaje y me encuentro con que la avería de la mecánica escénica de la Sala Principal de La Cosa ha puesto en peligro su chiquérrima temporada. Según El País de ayer, "la maquinaria que se rompió el sábado en el Palau de les Arts forma parte de un equipamiento escénico adjudicado por 22,5 millones de euros, aunque la Sindicatura de Comptes apuntó que ha costado mucho más". Una menudencia, teniendo en cuenta el presupuesto global del edificio que, todavía por acabar, ya tiene hasta goteras.

Lo de siempre, más o menos: según las noticias publicadas estos días, los responsables (la intendente del teatro, desde Viena) dicen que no pasa nada y los técnicos (mal pagados y contratados hace muy poco tiempo, por lo visto), que se inauguró el edificio con tanta prisa que fue imposible comprobar el funcionamiento de todo en condiciones adecuadas. Santiago Calatrava, el arquitecto que concibió el proyecto, tampoco está satisfecho debido a la urgencia con la que se abrió al público, mientras que los políticos que lo promovieron le recuerdan, cuando se queja, los sobrecostes de la construcción.

Me acuerdo que hace un par de años, la English National Opera tuvo que atrasar la reapertura del Coliseum, debido justamente a problemas técnicos, cancelando los espectáculos que habían sido programados para la inauguración. Supongo que ahí está la diferencia: en saber asumir los errores y en no confiar en la suerte.

11/22/2006

Primer proyecto discográfico de Artists Project Earth

Artists Project Earth , asociación que promueve accciones para combatir el cambio climático y el calentamiento global, lanzó la semana pasada su primer proyecto musical: Rhythms del mundo. Se trata de un disco que ha nacido de la colaboración entre los artistas del Buena Vista Club Social y algunos cantantes británicos y norteamericanos, como Artic Monkeys, Norah Jones, Sting, U2, Radiohead, Frank Ferdinand, Coldplay y Jack Johnson entre otros. Se puede ver un video de las sesiones de grabación aquí.

Las sesiones de grabación tuvieron lugar en La Habana entre abril de 2005 y junio de 2006 y a las bases vocales originales se añadieron arreglos afro-cubanos a cargo de Demetrio Muñíz. Entre los artistas cubanos participantes destacan Omara Portuondo, Ibrahim Ferrer (a quien se puede escuchar en este disco en la que fue su última grabación antes de morir), Cachaíto o Vanya entre otros muchos.

Ni que decir tiene que todos los artistas participantes se identifican con el proyecto y apoyan las causas que este promueve. Además, todos los materiales del disco son reciclables y biodegradables. Como dice un amigo, habrá que dejar descansar la mulita y pasarse por la tienda de discos. Se trata en definitiva de una buena causa y la verdad es que el disco merece la pena.

11/21/2006

Musiquez-vous contemporain?

Quisiera invitaros a un juego del Ensemble Intercontemporain en el que, además de poder probar vuestros conocimientos musicales sobre música contemporánea, se pueden ganar un par de entradas para un concierto del EIC con su nueva directora, la finlandesa Susanna Mälkki, el próximo día 15 de diciembre en el parisino Musée d'Orsay. Espero que os guste y buena suerte.

Trying to copy Amadeus

Copying Beethoven se estrenó en España hace unas semanas. El comentario sobre el presunto feminismo de la película se queda para dentro de un rato. Por ahora, me conformo con hacer mío el publicado hace un mes en blogdecine: "Menos mal que nos queda la música".

11/20/2006

Mais outra que foi à vida

A Festa da Música, como se sabia, pelo menos, desde Janeiro deste ano, apesar da esperança que pareceu surgir algumas semanas depois.

Mas teremos uns "Dias da Música" na data prevista em 2007 dedicados ao piano (entalados entre o excelente ciclo pianístico da Gulbenkian e o Festival de Sintra...). O projecto será, pelos vistos, mono-instrumental... Esta nova festa da música dos pequeninos, mais maneririnha do ponto de vista orçamental, talvez continue pelos ferrinhos e pelas castanholas, como sugere um leitor de Cascais no site do PÚBLICO. No entanto, fiquem descansados, porque o resto das coisas que aí vêm são muitíssimo melhor.

Desculpem o tom, mas este tipo de desistências entristece-me. Chateia-me, ainda, o ar de improviso envergonhado que têm esses Dias da Música. E que, apesar disso, irá custar um terço do orçamento da Festa. E que este seja o legado de um governo que tem um musicólogo nas suas filas. E que acaba um projecto que questionou a forma de programar a clássica em Portugal mostrando que, afinal, o público existe. E que não se tenha divulgado nenhum trabalho académico de jeito sobre o seu impacto na cidade. E que as milhares de pessoas que acorriam ao CCB e esgotavam os bilhetes fiquem sem resposta à sua procura de música de qualidade, num formato inteligível e num contexto festivo e, ele próprio, espectacular. E a incapacidade para ter negociado com René Martin com visão e tempo o desenvolvimento da Festa da Música em moldes específicos. E que uma condecoração tenha sido o único reconhecimento oficial dado ao seu sucesso.

Pronto. Já passou.

11/17/2006

É a cultura, estúpido!

Ontem o Público deu destaque à notícia do peso que a cultura tem como actividade económica no PIB. Não é informação recente (há anos que existem relatórios neste sentido), mas é pertinente e muito bem vinda, vistas as palermices que temos andado a ler nos últimos dias.

Rui Rio e o seu despacho, no meio disto, é apenas folclore. Afinal, até o desculpo: ele não é pago para pensar, mas para executar. No entanto, por sua vez, ele tem a obrigação de arranjar quem pense "bem" para ele. É para isso que servem os assessores. O que me aborrece precisamente é a irresponsabilidade de quem, servindo-se do espaço jornalístico habitualmente dado aos opinion-makers, escreve barbaridades. Cheguei a ler, por exemplo, numa coluna do Diário de Notícias que os subsídios servem para pagar os almoços dos artistas. Também fiquei farta das diversas variantes do provérbio que diz qualquer coisa como que quem é pobre, não tem vícios.

São estas as palermices que é preciso contrariar. E, nesse sentido, o dossier do Público é a resposta certa no momento certo. Espero que tenha algum efeito e que a reacção do chauffeur neoconservador do Araúxo seja uma excepção. Por seu turno, a minha choiffeuse, depois de ter lido o jornal, ficou indignada. Exclamou logo, enquanto dava enérgicas escovadelas: "Mas que coisa chata, misturar uma coisa tão bonita como a cultura com o dinheiro!"

11/08/2006

Schubert de verano











Como he andado este verano en la luna, no he reparado hasta hoy en esta maravilla, disponible en el catálogo de la Naxos desde el pasado mes de agosto. Es el estreno del Kungsbacka Trio en la editora y, francamente, no podía haber sido mejor.

Mujeres españolas en Naxos












Jordi Masó presta de nuevo su pianismo cristalino a Joaquín Turina, en este tercer volumen dedicado por la Naxos a la obra pianística del compositor sevillano. A mí, muy sinceramente, sus retratos femeninos me parecen bastante remilgados y previsibles, sin embargo, sirven maravillosamente para hacer valer las cualidades del pianista. O sea, que casi podría haber escrito, al contrario, que Turina presta, de nuevo, sus partituras cristalinas a Jordi Masó.

A veces, al escuchar otros discos anteriores, sentí en Masó una cierta falta de identificación emocional con lo que estaba tocando o, con otras palabras, una especie de autocontrol que parece no adecuarse demasiado bien a estas españoladas. Sin embargo, éste me ha dejado con curiosidad, a la espera del cuarto volumen de la integral de Turina. Óigase, por ejemplo, "La andaluza sentimental" o "La mocita de barrio" para entender lo que quiero decir.

Mais números atirados ao rio

Aqui, no blog A dentada da palminha, de Ricardo Alves.

11/07/2006

Ha ocurrido

La "vanguardia" de Darmstadt ha desaparecido de la antología que acompaña la última edición de la historia de la música de la Norton. O sea, no aparece representada en la selección de obras analizadas como material de apoyo para el manual que está destinado a ser el más utilizado en el mundo.

El índice del volumen, firmado por J. Peter Burkholder (Universidad de Indiana), juntamente con los históricos Donald Jay Grout y Claude V. Palisca, puede ser consultado aquí o aquí. Las obras incluidas en la antología, elaborada por Burkholder y Palisca, pueden verse aquí.

Bessie, Louis, Dizzy, Duke, bienvenidos al canon.

Futurismo rivolucionário

Afinal, e como acontece quase sempre, os números retiraram toda a poesia ao gesto futurista do autarca do Norte.

Conforme o jornal Público de hoje, a despesa total com cultura da Câmara do Porto atinge os 4,6 milhões de euros (2,03% do orçamento), dos quais foram atribuídos 100 mil em subsídios. Estes são os que Rui Rio anunciou que vai cancelar. Apoiaram apenas as seguintes organizações: Fantasporto (30 mil), Festival Internacional de Marionetas (10 mil), Festival Internacional de Teatro Ibérico (25 mil), Fazer a Festa (20 mil) e Fundação Eugénio de Andrade (15 mil).

Compare-se com os números de Lisboa (a fonte continua a ser o Público): 30 milhões de euros (5% do orçamento), dos quais 1 milhão se destinam a subsídios. Ou seja, o presidente da Câmara do Porto em parte tem razão: os seus subsídios são esmolas.

Tal como Manuel Carvalho interpreta no artigo que assina assina também hoje no Público (intitulado "Rui Rio, a genealogia da moral pública" e que, como se sabe, só está disponível para assinantes), o gesto situa-se algures entre o amuo pessoal e a censura institucional.

A ler, ainda: o post publicado no passado dia 22 no Coriscos (que foi precedido por este). Vêm a propósito do apoio recebido por Rui Rio da parte de pessoas que, aparentemente, não sabem muito bem de que falam quando escrevem sobre o "tecido cultural" da cidade do Porto.

10/31/2006

La radio de los estudiantes de mi licenciatura

PROGRAMA 2

(3 de noviembre a las 12,00 - 15,00 y 22,00 horas) - (5 de noviembre a las 12,00 - 22,00 horas) en http://www.hcmradio.tk3.net

1. YASUO KUWAHARA: Canción del otoño japonés. Orquesta Tablatura (plectro-fusión). Adolfo Prado García (director). Mercedes La Lueta Taravillo (miembro).

2. STJEPAN SULEK: Sonata Vox Gabrielli. Jesús Vicente Monzó (trombón). José Manuel Sánchez Ramírez (piano).

3. Mª LUZ CHAMORRO: Divertimento para orquesta de cuerda (1999). Mª Luz Chamorro Trujillano (compositora). Orquesta Manuel de Falla. Juan Luis Pérez (director).

4. CLAUDE BOLLING: Picnic Suite (3 movimientos). Beneharo Déniz Almeida (flauta). Sergio Gil (guitarra). Héctor Muñoz (piano). Leandro Ojeda (contrabajo). Amelia Gutiérrez (batería).

Endogamia en la universidad

El artículo salió ayer en EL PAÍS. Viene al hilo de la realización, hace dos semanas, en Madrid, del II Congreso de Corrupción Universitaria. Yo estoy interesada en el asunto por razones evidentes, pero, tal como se apunta en el primer párrafo, creo que se trata de una cuestión de fundamental importancia que debía ser mucho más comentada. Por eso, sin la venia, me ha parecido oportuno copiarlo aquí.

TRIBUNA: AULA LIBRE MIGUEL DELIBES DE CASTRO*

"Uno de los nuestros..."

MIGUEL DELIBES DE CASTRO*

EL PAÍS - 30-10-2006

Aunque apenas despierta interés en la sociedad, pocas cosas tienen tanta trascendencia para nuestras expectativas de vida como la selección del profesorado universitario. Elegir mal nos hace perder el tren del desarrollo y la innovación, disminuye las oportunidades de nuestros hijos en una sociedad tecnificada y compleja y dilapida de forma absurda nuestro dinero: un profesor malo cobra lo mismo que uno bueno y, no lo olvidemos, ellos formarán a los futuros médicos, jueces, arquitectos. Para que la universidad cumpla con su papel como motor del desarrollo, debe seleccionar a los mejores profesores en base a criterios de excelencia docente e investigadora. Por desgracia, en nuestro país los profesores universitarios se seleccionan con demasiada frecuencia por procedimientos poco transparentes, donde amiguismo y enchufe pesan sustancialmente más que la investigación y la docencia.

En la universidad, los catedráticos deberían ser los máximos referentes en cuanto a excelencia. Por ello conviene seleccionarlos con sumo cuidado. Sin embargo, desde hace décadas la selección de catedráticos se ve, no pocas veces, alterada por un sistema de padrinazgo, amparado en una estructura de áreas de conocimiento que establece una red de intercambio de favores entre catedráticos ("yo voto a tu candidato para que luego tú votes al mío"). Como resultado, a los aspirantes les sale más a cuenta "buscarse un padrino" que buscar la excelencia docente e investigadora. En un tímido intento, la Ley Orgánica de Universidades (LOU, 2002) promovió el examen nacional de habilitación para enmendar esta situación. Siete miembros, elegidos por sorteo, deciden qué candidatos pueden llegar a ser catedráticos. El funcionamiento del sistema está defraudando buena parte de las expectativas que algunos pusieron en él.

Si pretendemos de una vez por todas que la selección del profesorado se realice en función de los criterios de excelencia que caracterizan a una universidad moderna, tenemos que asegurar, por un lado, que los tribunales de selección estén compuestos por los profesores más idóneos, y por otro, que sus decisiones sean totalmente transparentes. En el proceso de selección de profesores en cuanto a su capacidad científica, existe un sistema aceptado internacionalmente que permite valorar la calidad de su trabajo. Los científicos tratan de publicar sus investigaciones en las mejores revistas internacionales de su especialidad. La calidad de una revista científica se mide por un número llamado "índice de impacto". Pero los editores sólo publican los mejores manuscritos que reciben, rechazando los demás tras un complicado proceso de evaluación en que el anonimato garantiza el juego limpio. Cuanto mayor impacto tiene una revista, más difícil es publicar en ella. Los buenos científicos, capaces de publicar en las mejores revistas, tienen más "índice de impacto" -obtenido como la suma del impacto de todas sus publicaciones- que los malos. Dos agencias internacionales (Institute for Scientific Information, ISI y SCOPUS) permiten hacer estas evaluaciones. Cualquier persona puede entrar en sus páginas web y averiguar la calidad de un científico. En consecuencia, no existe justificación alguna para que una comisión de selección no elija correctamente.

Sin embargo, varias comisiones siguen saltándose a la torera todas las indicaciones objetivas de calidad. Sirva de ejemplo una reciente habilitación de catedrático de universidad (la número 1/700/0904) celebrada en la Facultad de Veterinaria de la UCM. La plaza en cuestión era para un área de conocimiento muy delicada, la producción animal, donde una mala selección puede tener graves consecuencias sobre la salud pública (recordemos las vacas locas, dioxinas, acumulación de pesticidas, metales pesados y otras conocidas intoxicaciones alimentarias, resultado de una mezcla de baja cualificación y mala praxis en la producción animal). La persona con mayor índice de impacto (119) fue la menos votada de los que pasaron el primer ejercicio (currículum vitae). Sorprendentemente, el candidato más votado sólo tiene un índice de impacto de 26 (casi 5 veces menor). El caso viene explicado en detalle en la revista Apuntes de Ciencia y Tecnología número 19, páginas 17 y 18 (versión electrónica en http://www.aacte.es). Como por desgracia estas situaciones son mucho más comunes que lo deseable en la selección del profesorado, la pregunta clave es: ¿por qué muchos tribunales de habilitación seleccionan tan mal, máxime cuando un catedrático bueno cobra igual que uno malo y en las universidades españolas y OPIs hay excelentes científicos para seleccionar al profesorado? Existen tres causas evidentes:

1. Falta de rigor en la selección de los miembros de las comisiones nacionales. Sigamos con el anterior ejemplo: el presidente de dicha Comisión Nacional de Habilitación (un catedrático del departamento de Producción Animal de la Facultad de Veterinaria de la UCM), sólo tiene un impacto sumado de 4.4. Sin embargo, no tiene problema en juzgar (y rechazar) a candidatos con un currículo cuyo impacto objetivo es 29 veces mejor que el suyo. Desgraciadamente, esta situación está más extendida de lo razonable: el currículo del presidente de la anterior Comisión Nacional de Habilitación de Producción Animal no es mejor que el del actual. Pero, como a todo hay quien gana, la guinda la pone el que va a ser presidente de la próxima Comisión Nacional de Habilitación (un catedrático de la Escuela Superior de Ingenieros Agrónomos de Madrid). Gana por goleada (0 artículos, 0 de impacto sumado). Que alguien pueda llegar a catedrático sin haber publicado ni un solo artículo en una revista internacional de impacto ya es más que sorprendente, pero que además vaya a presidir la siguiente comisión nacional de habilitación indica que algo muy grave está pasando en la universidad española. Ver más detalles en Apuntes de Ciencia y Tecnología número 19, páginas 17 y 18 (versión electrónica en http://www.aacte.es).

2. Total impunidad: como un tribunal no tiene que dar explicaciones a ninguna instancia superior (en la práctica, sólo se les exige respeto a las formas del proceso ya que son soberanos respecto al fondo de su decisión), puede elegir sin que la más descarada de las arbitrariedades tenga consecuencias. Como resultado, los contribuyentes terminamos pagando de por vida el sueldo a quienes son hábiles para conseguir el favor del tribunal y no a los buenos investigadores y docentes. Asimismo, pagamos a un tribunal (dietas, hoteles) que representa al Estado (y, por tanto, a nosotros) para que al final haga lo que quiera y no lo que deba.

3. Amiguismo sistemático. En la universidad española han accedido a catedráticos excelentes científicos. Sin embargo, en demasiados casos la adjudicación de plazas se rige por una ética perversa. El incompetente defiende su puesto manteniendo alejados a los profesionales de excelencia. Para ello mantiene un sistema de padrinazgo ("mi candidato es fulanito", "le debo un favor a menganito"), aderezado por una retórica imposible de entender fuera de la universidad ("no da el perfil", "no es lo normal en el área"). Fomenta siempre al protegido cuya virtud principal suele ser la servidumbre. Y sobre todo pretende convencer de que la selección del personal docente e investigador en la universidad es una cosa tan compleja que la sociedad civil no está capacitada para opinar. La realidad es que cualquier jefe de recursos humanos, de empresas competitivas, seleccionaría mejor.

Lo queramos o no vivimos en una sociedad de ciencia, tecnología e innovación. Si seguimos separando el grano de la paja para quedarnos con la paja nuestro país perderá el tren del futuro. Hay que hacer que la sociedad exija una universidad que se corresponda con nuestro nivel socioeconómico, en la que los criterios de excelencia científica y docente destierren a los sistemas de padrinazgo-servidumbre. Recordemos que durante la transición española se demostró que buena parte del sector industrial estaba obsoleto y era inviable. Con gran sacrificio, la sociedad afrontó una reconversión industrial dolorosa que afectó a miles de personas. Pese a sus grandes costes no perdimos el tren del progreso y la competitividad industrial. Quizás ahora ha llegado el momento de hacer una profunda reconversión en la universidad, sin duda difícil, pero necesaria.

Firman este artículo Miguel Delibes de Castro. Profesor de Investigación. CSIC. Premio Nacional de Investigación Alejandro Malaspina. Fernando Hiraldo. Profesor de Investigación. CSIC. Director de la Estación Biológica de Doñana. Premio BBVA de Investigación en Biología de la Conservación. Joaquín Tintoré Subirana. Profesor de Investigación. CSIC. Director de IMEDEA. Premio Nacional de Investigación Alejandro Malaspina. Manuel Toharia. Presidente de la asociación española para la comunicación científica. José Antonio Donazar. Profesor de Investigación. CSIC. Xim Cerdá. Vicedirector de Investigación. EBD. CSIC. Javier Juste. Ex vicedirector de Investigación. EBD. CSIC. Antonio Delgado. Estación Experimental del Zaidín. CSIC. Luis Rull. Catedrático. Universidad de Sevilla. Juan Martínez Hernández. Jefe de Servicio de Medicina Preventiva y Salud Pública. Hospital Carlos III. Madrid. José Luis Blanco. Profesor Titular. Universidad Complutense. Antonio Rodríguez Artalejo. Catedrático. Universidad Complutense. Eduardo Costas. Catedrático. Universidad Complutense

10/30/2006

Fazer sentido

Há dias, foi publicada, no DN, a notícia do "despejo" do Museu de Arte Popular, único pavilhão sobrevivente da Exposição do Mundo Português de 1940. Vale a pena ler o post publicado no Indústrias Culturais a propósito deste despropósito. E, já agora, acho que também valerá a pena ler - e assinar - a petição endereçada por Pedro Sena-Lino e por Rui Santos ao Ministério.

Pelos vistos, e porque o Museu de Arte Popular "não faz sentido", no seu lugar, ficará o futuro Museu da Língua Portuguesa. Incomoda esta incapacidade para conviver com a história e o desejo de "reescrevê-la". Diverte a ideia de "museologizar" uma língua, digna de Teófilo Braga no seu melhor e com derivações de branqueamento post-colonial evidentes. Finalmente, chateia que venham anunciar Museus da Língua Portuguesa, enquanto, por exemplo, a Biblioteca Nacional exibe diariamente as marcas do seu reduzido orçamento (precisamente, sempre visíveis nas suas sempre interessantes e pertinentes exposições).

10/29/2006

Libros de música

La Revista de Libros que edita la Fundación Caja Madrid publicaba en el número de septiembre dos interesantes artículos. "Notas del más allá" del compositor y profesor de música en el Reek College de Portland David Schiff comenta el libro de Robin Maconie Other planets. The music of Karlheinz Stockhausen (Lanham, Scarecrow Press) mientras que "Entre sístole y diástole. En torno a Pierre Boulez" de Carmen Pardo Salgado se centra en dos textos de Pierre Boulez, Regards sur autrui y Leçons de musique, publicados en 2005 con ocasión del 80 cumpleaños del autor.
Según David Schiff, el libro de Maconie sobre Stockhausen, que se lee "como una mezcla de historia musical y El Código Da Vinci", comenta las obras del extenso catálogo de Stockhausen al tiempo que intenta desvelar cómo "una agenda filosófica latente" en la música aborda "las aspiraciones históricas del nacionalismo alemán" y cómo el serialismo es parte de "una empresa estética e intelectual de mayor calado, que se inició a finales del siglo XVIII, en relación con la naturaleza y evolución del lenguaje y sus implicaciones para la democracia posrevolucionaria".
Carmen Pardo, autora de La escucha oblicua: una invitación a John Cage, comenta Regards sur autrui, obra que recoge las notas que Boulez realizó para sus conferencias y seminarios, los comentarios sobre las música de otros compositores así como su faceta de director de orquesta, y también Leçons de musique, un texto que recopila los cursos que Boulez ofreció en el Collège de France entre 1976 y 1995.

10/02/2006

Algumas notícias que amavelmente me enviaram

Emanuel Salvador vai tocar a parte solista do Concerto para violino de Luis de Freitas Branco nos dias 13 de Outubro (Cine-Teatro do Pombal), 14 de Outubro (Teatro de Braganca) e 20 de Outubro (ISEP Porto). Em Novembro toca o concerto de Beethoven na Igreja Matriz de Penafiel (dia 18) e em Londres, com a Newbury Symphony Orchestra (dia 25).
Também em Londres, a violoncelista Carina Albuquerque e o quarteto de que é integrante (Quarteto Da Capo) apresentam amanhã e depois de amanhã a estreia nacional de uma nova peça de Geoffrey Burgon.

Eurico Pereira, guitarrista e um dos alunos mais simpáticos e talentosos que tive em Évora, apresenta-se em Lisboa no próximo dia 19, nos "Momentos de Música" do Banco de Portugal.