1/22/2007
Normalidade e downsizing
Hoje, também no PÚBLICO, Tiago Bartolomeu Costa (do excelente O Melhor Anjo), opina sobre a tal fusão. Fala em dinheiro, como era de esperar, assinalando o fundamental: "o modelo [de fusão] proposto pelo MC tem como exemplos a Ópera de Paris, o La Scala e a Royal Opera House de orçamentos cinco vezes superiores ao acumulado CNB/TNSC". Os números que o Tiago aponta no seu artigo dão, de facto, que pensar, porque colocam a questão da margem orçamental que um teatro ou uma companhia de bailado precisam para ser verdadeiramente eficientes, ou seja, para que do investimento que se faz neles se obtenha algum retorno. Assim, o 75% do orçamento do CNB destina-se a despesas fixas, o que é uma espécie de estrangulamento do que deveria ser a sua finalidade principal, à qual se dedica apenas o 25% restante. Afinal de contas, poupar sai caro.
O Tiago (tal como José Sasportes, neste artigo publicado pontualmente no DN) fala dos efeitos que a fusão numa nova estrutura denominada OPART poderá vir a ter na perspectiva do CNB. Paolo Pinamonti já referiu em várias entrevistas as consequências na perspectiva do TNSC. Por exemplo, nesta, também publicada pelo DN.
Já se conhece, pelo que está a acontecer há anos com a OSP, o efeito do downsizing na sua versão anoréxica no âmbito da gestão cultural tutelada pelo Ministério. Por analogia, o exemplo parece confirmar as previsões no que diz respeito à CNB. A indefinição absoluta da OSP enquanto agrupamento deriva-se directamente da sua fusão com o Teatro Nacional de São Carlos. Desapareceu aquele horroroso "Orquestra Sinfónica Portuguesa do Teatro Nacional do São Carlos", mas, mesmo assim, o seu perfil artístico não existe. É aliás de temer que, a seguir, os responsáveis por esta situação, deitando a mão à retórica do mercado, tão à la page, acabem por chegar rapidamente à conclusão de que ter uma orquestra sinfónica é um "desperdício", incongruente numa nova estrutura vocacionada para a "produção" artística". Tudo o que pode piorar, piora...
1/16/2007
Uma forma de plágio
Fui buscar mais alguma informação referente à jornalista do San Antonio Express News que tinha sido despedida por não citar a wikipedia. Acontece que a tal jornalista assinava regularmente uma coluna de opinião e que esta era a terceira vez que copiava literalmente e sem citar frases inteiras de fontes alheias. Parece-me que não é justo fazer equivaler uma coluna de opinião a uma coluna de apoio a uma peça jornalística de carácter divulgativo no domínio das ciências da saúde. E este excesso faz-me perguntar, já agora, quem é que nos protege do provedor?
O senso comum faz-me pensar que os factos unanimemente aceites, por um lado, e as ideias e conclusões, por outro, não pertencem à mesma categoria quando estamos a falar de plágio. Este, aliás, pode apresentar muitas formas.
Há tempos, lembro-me de ter achado estranha a menção, numa coluna de apoio a um texto principal relativa à vida e à obra de um compositor, a referência à versão compacta das entradas biográficas do Grove, antigamente disponíveis na net (digo antigamente porque agora não fui capaz de encontrar nenhum exemplo).
Será preciso citar uma fonte para afirmar que Beethoven escreveu nove sinfonias? Ainda, citar, por exemplo, a última edição do Grove, seria compreensível, porque supunha um acrescimo de informação. Mas ser obrigatório citar uma fonte que informa sobre um facto que, por sua vez, pode ser recolhido em múltiplas fontes? É um bocadinho ridículo.
Seja como for, a decisão é de natureza editorial e pode ser tomada, em benefício da transparência, depois de ter sido chamada a atenção para a omissão em causa. O que não se explica é que uma coisa destas se transforme numa espécie de caçada inquisitorial com direito à divulgação pública de mails que, mais uma vez, o senso comum coloca no domínio do privado. O PÚBLICO não é o Estado!
Depois da inanidade do affaire Equador discutido na mesma coluna do provedor (no blog aparece o epílogo, no post "A frase a mais"), parece que este queira deixar claro que conhece perfeitamente a definição do termo plágio.
Obviamente, este último comentário foi publicado "sem a devida confirmação em duas fontes diferentes e independentes entre si"! (fonte: Livro de Estilo do jornal PÚBLICO, onde se diz a propósito do "plágio": "O plágio é terminantemente proibido no PÚBLICO. Todas as informações recolhidas noutros órgãos de comunicação ou fornecidos por agências de notícias — no caso de relevância manifesta — devem ser sempre devidamente atribuídas. Ganha-se em credibilidade e vence-se noutra frente: na imagem de um jornal que dispensa a leitura de qualquer outro.")
De arcaismo e de tecnologia

Pascal Dusapin, hoje no Público (sem link), a propósito da sua Medea, amanhã em estreia na Casa da Música:
Eu fiquei muito tocado pela Media do Pasolini. Quando vemos esse filme [realizado em 1969], percebemos que o verdadeiro problema é que Medeia representa um mundo arcaico, alimentado de símbolos e de ritos, e que Jasão, no seu desejo de conquista, existe em todo o lado e representa um mundo cada vez mais tecnológico. Um dos problemas do mundo actual, a que há que fazer face, é que ele valoriza essa dimensão tecnológica mas fundamenta-se em valores extremamente arcaicos. Quando penso na questão do Médio Oriente, em que uma parte da população é capaz, hoje em dia, de se autodestruir para fazer valer as suas convicções..
De estradas rápidas
Uma das peças intitula-se “A estrada rápida”. A partir de um texto de Terry Jones (actor, realizador e escritor britânico, membro do grupo Monthy Python), essa fábula relata-nos a história de uma menina que, de forma inexplicável, viaja a velocidade vertiginosa através de uma via rápida, atingindo espaços desconhecidos e vivendo situações assombrosas. A sensação da deslocação súbita apresenta também analogias com a maneira como pode abordada na escuta Round Time, a segunda obra orquestral de Tinoco, escrita em 2002. Cores, e espaços são apresentados a longo do único andamento de que consta a obra com uma rapidez alucinante, mediante sucessivos impulsos, estruturas acumulativas e gestos ascendentes. Em ambos os casos, é conseguido um momento - e um espaço - único e impossível de reconstituir através de meios de reprodução mecánica, ao mesmo tempo que se transmite ligeireza, impacto, espectáculo.
Luís Tinoco sublinha que em Round Time se preocupou principalmente com o que ele denomina “problemas de dimensão”: a dimensão vertical – o que fazer com tantos instrumentos? – e a dimensão horizontal – como controlar os recursos da orquestra no tempo?. A dimensão horizontal é aquela que se apreende mais facilmente numa primeira audição, ao longo da qual se torna evidente o efeito de continuum em que, usando as palavras de Tinoco, “se encadeiam uma série de eventos sonoros dotados de visualidade, de certo modo como um conjunto de painéis de um políptico”.
O políptico organiza-se mediante referências, subtis e não explicitadas pelo compositor, a uma espécie de sinfonia, que começa com um primeiro minuto de pura magia sonora. Depois desta introdução, que tem a virtude de nos colocar perante o nascimento de um acontecimento sonoro que tem qualquer coisa de matérico, encontramos os gestos enfáticos que associamos tradicionalmente ao primeiro andamento em forma de sonata. A seguir, temos uma espécie de scherzo em que se evidencia as técnicas de escrita repetitiva, um momento de serenidade e, por último, um finale que, embora preparado de forma evidente, nos conduz à súbita desaparição do som. Este deixa de existir de forma tão misteriosa como quando, no início, surgiu do nada.
Pode ser, ainda, escutado como uma viagem pelas memórias que preenchem a paisagem sonora do século XX: de Stravinsky a Ligeti, de Copland a Adams, do jazz à música electrónica.
1/15/2007
Blockbuster opera
O que andava a tentar evidenciar era a partilha de tipos de argumentos ou, menos pretensiosamente, de temas nas recepções mais ou menos críticas, e por vezes antagónicas, a duas óperas recentes. A primeira viu-se em Lisboa e em Milão, enquanto a segunda apenas foi apresentada em Nova Iorque. Esta última - The First Emperor, com música de Tan Dun - foi transmitida através da rádio no sábado passado.
A impressão que ficou foi a evidente: a intenção do compositor de fundir o drama lírico com referências à imagem sonora da China e uma produção típica da antiga grand opéra, historicista e servida por meios materiais estonteantes (10 anos de trabalho e custos que se elevam aos 2 milhões de dólares). A ópera colocou-se, portanto, na órbita do cinema, oferecendo inclusivamente uma estrela da craveira de Plácido Domingo como cabeça de cartaz. Não é, de todo, um fenómeno novo: ópera e cinema têm-se olhado mutuamente desde sempre.
Hoje em dia, o desafio deveria resultar ainda mais estimulante, perante vídeos como os que se seguem, criados com ferramentas que fazem de quem as usa uma espécie de deus sem limites.
1/10/2007
Todavía más maleficios
1/09/2007
De dissolutos e de imperadores
Como ando de rastos no statcounter, achei que seria uma boa estratégia polemicar um bocadinho com o Henrique. Trata-se de uma falsa polémica, claro: mas todos sabemos que este é um detalhe negligenciável quando falamos de audiências!
No seu blog lembrou o esquecimento a que todos – acho eu – votamos a estreia da ópera Il Dissoluto Assolto no Scala. De facto, na estreia, perante a presença dos autores, houve, conforme a fonte, vaias ou alguns assobios.
O erro do alinhamento (tal como em Lisboa, Il Dissoluto foi interpretado juntamente com a Sancta Susanna, de Hindemith) foi assinalado como motivo do insucesso global do espectáculo neste blog italiano. O argumento mistura-se com a reivindicação da produção dramática dos compositores italianos modernistas, nomeadamente, e com justiça, de Dallapiccola.
Sabemos que o Scala tinha atravessado uma grave crise nos meses anteriores, que o seu público não é demasiado "aficionado" às novidades e que nas estreias de obras contemporâneas é bastante habitual a reacção perplexa de plateias quase vazias. Nada de novo, misturado, ainda, com a possibilidade de que na censura/elogio a Saramago haja motivações políticas e de que os elogios italianos a Corghi se devam a uma forma de proteccionismo cultural de carácter nacionalista.
Será, por isso, talvez, interessante comparar também o affaire milanês do Dissoluto Assolto com as reacções perante a recente estreia da ópera The First Emperor, de Tan Dun, no Metropolitan. Comparem-se aliás as dos críticos dos jornais de referência (este é um exemplo e este, outro) com a da crítica quase-blogosférica da Newmusicbox, que se remata, precisamente, com um debate acerca da utilidade dos críticos. Resumindo, para quem não tiver paciência: quem não gostou, compara The First Emperor com uma chávena de chá morno, embora salve (tal como aconteceu na estreia milanesa do Dissoluto Assolto, de resto) o empenhamento dos intérpretes, quem dá o benefício da dúvida, destaca os momentos bons da partitura e a necessidade de que os teatros de ópera promovam de forma regular as novas obras de compositores contemporâneos com o argumento, razoável, de que essa é a única forma de ganhar experiência no meio. Aplica-se particularmente aos romancistas metidos a libretistas!
Agora, serão os grandes teatros os responsáveis por incentivar estas tentativas? De facto - e tal como Augusto M. Seabra refere na crónica antes mencionada - uma das experiências de "teatro-musical" ultimamente mais bem sucedidas em Lisboa foram os fantásticos Contos Fantásticos estreados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa no Teatro de São Luiz em 2006 (e que voltarão a ser montados em Fevereiro). Mas não são ópera.
Só mais uma coisita., Duvido que haja mais oportunidades de ver/escutar a obra da dupla Corghi/Saramago. A ópera de Tan Dun poderá ser escutada este sábado em directo do Met, pelas 18h30 portuguesas (por exemplo, através do site da Rádio Clásica espanhola). Plácido Domingo é o protagonista.
Lopes-Graça no Notas Soltas
1/08/2007
Más maleficios de internet
Después de youtube y de las obras completas de Mozart a golpe de click, sólo nos faltaba esto. No tienen el olor y el tacto de los libros, pero no pasa nada (ya estoy en la edad en la que parece conveniente convencerse de que lo mejor suele ser enemigo de lo bueno!).
12/14/2006
Enjoy Dutch Dance en Sa Màniga
Dentro de la actual temporada, el pasado 17 de noviembre tuvimos ocasión de asistir a la única actuación en España de la compañía holandesa Introdans (Ensemble forYouth) que ofreció de manera muy asequible e inteligente una buena muestra de la mejor danza contemporánea holandesa. Nos sorprendió enormemente el elevado nivel técnico de los bailarines en unos montajes en los que la presencia del humor y del toque festivo tenían un destacado papel. El espectáculo también nos brindó la oportunidad de conocer los trabajos coreográficos de Mats Ek, Daniël Ezralow, Robert Battle (autor de la coreografia del impresionante Final sounds que levantó literalmente al público de sus asientos) y, sobre todo, de Jirí Kylián. Kylián es autor de tres coreografías que se bailaron esa noche: Dream dances sobre música folclórica nórdica (si recuerdo bien), Evening songs sobre música de Dvorák y Symphony in D de Haydn. Sin duda fue de lo mejor de la noche. Para los que no sepan nada de Kylian, Arthaus tiene en su catálogo un par de referencias: un DVD con coreografías de Janácek, Haydn y Chávez, así como un estuche de 4 DVD's con L'Histoire du soldat, Kaguyahime y Black & White.
12/13/2006
12/06/2006
Transparencia que deslumbra

Parece que sigo en una de pianistas. Y todavía me falta contar lo que me traje del congreso sobre Chopin realizado en Varsovia, aunque no es que sea mucho. Mientras me decido a hacerlo, continuo también llamando la atención hacia las magníficas grabaciones que mensualmente lanza la Naxos. La editora prosigue en su trayectoria ascendente, al mismo tiempo que otras compañías están en pleno "downsizing process", tal como la Sony, en lo que se refiere a la clásica.
Entre los lanzamientos previstos por la Naxos para el próximo mes de enero se cuenta este primer volumen dedicado a la música para piano de Manuel de Falla, interpretada por Daniel Ligorio Ferrándiz. El CD vale sobre todo por los cerca de 15 minutos que duran las Cuatro piezas españolas.
12/05/2006
No pasa nada

Llego de viaje y me encuentro con que la avería de la mecánica escénica de la Sala Principal de La Cosa ha puesto en peligro su chiquérrima temporada. Según El País de ayer, "la maquinaria que se rompió el sábado en el Palau de les Arts forma parte de un equipamiento escénico adjudicado por 22,5 millones de euros, aunque la Sindicatura de Comptes apuntó que ha costado mucho más". Una menudencia, teniendo en cuenta el presupuesto global del edificio que, todavía por acabar, ya tiene hasta goteras.
Lo de siempre, más o menos: según las noticias publicadas estos días, los responsables (la intendente del teatro, desde Viena) dicen que no pasa nada y los técnicos (mal pagados y contratados hace muy poco tiempo, por lo visto), que se inauguró el edificio con tanta prisa que fue imposible comprobar el funcionamiento de todo en condiciones adecuadas. Santiago Calatrava, el arquitecto que concibió el proyecto, tampoco está satisfecho debido a la urgencia con la que se abrió al público, mientras que los políticos que lo promovieron le recuerdan, cuando se queja, los sobrecostes de la construcción.
Me acuerdo que hace un par de años, la English National Opera tuvo que atrasar la reapertura del Coliseum, debido justamente a problemas técnicos, cancelando los espectáculos que habían sido programados para la inauguración. Supongo que ahí está la diferencia: en saber asumir los errores y en no confiar en la suerte.
11/22/2006
Primer proyecto discográfico de Artists Project Earth
Las sesiones de grabación tuvieron lugar en La Habana entre abril de 2005 y junio de 2006 y a las bases vocales originales se añadieron arreglos afro-cubanos a cargo de Demetrio Muñíz. Entre los artistas cubanos participantes destacan Omara Portuondo, Ibrahim Ferrer (a quien se puede escuchar en este disco en la que fue su última grabación antes de morir), Cachaíto o Vanya entre otros muchos.
Ni que decir tiene que todos los artistas participantes se identifican con el proyecto y apoyan las causas que este promueve. Además, todos los materiales del disco son reciclables y biodegradables. Como dice un amigo, habrá que dejar descansar la mulita y pasarse por la tienda de discos. Se trata en definitiva de una buena causa y la verdad es que el disco merece la pena.
11/21/2006
Musiquez-vous contemporain?
Trying to copy Amadeus
11/20/2006
Mais outra que foi à vida
Mas teremos uns "Dias da Música" na data prevista em 2007 dedicados ao piano (entalados entre o excelente ciclo pianístico da Gulbenkian e o Festival de Sintra...). O projecto será, pelos vistos, mono-instrumental... Esta nova festa da música dos pequeninos, mais maneririnha do ponto de vista orçamental, talvez continue pelos ferrinhos e pelas castanholas, como sugere um leitor de Cascais no site do PÚBLICO. No entanto, fiquem descansados, porque o resto das coisas que aí vêm são muitíssimo melhor.
Desculpem o tom, mas este tipo de desistências entristece-me. Chateia-me, ainda, o ar de improviso envergonhado que têm esses Dias da Música. E que, apesar disso, irá custar um terço do orçamento da Festa. E que este seja o legado de um governo que tem um musicólogo nas suas filas. E que acaba um projecto que questionou a forma de programar a clássica em Portugal mostrando que, afinal, o público existe. E que não se tenha divulgado nenhum trabalho académico de jeito sobre o seu impacto na cidade. E que as milhares de pessoas que acorriam ao CCB e esgotavam os bilhetes fiquem sem resposta à sua procura de música de qualidade, num formato inteligível e num contexto festivo e, ele próprio, espectacular. E a incapacidade para ter negociado com René Martin com visão e tempo o desenvolvimento da Festa da Música em moldes específicos. E que uma condecoração tenha sido o único reconhecimento oficial dado ao seu sucesso.
Pronto. Já passou.
11/17/2006
É a cultura, estúpido!
Rui Rio e o seu despacho, no meio disto, é apenas folclore. Afinal, até o desculpo: ele não é pago para pensar, mas para executar. No entanto, por sua vez, ele tem a obrigação de arranjar quem pense "bem" para ele. É para isso que servem os assessores. O que me aborrece precisamente é a irresponsabilidade de quem, servindo-se do espaço jornalístico habitualmente dado aos opinion-makers, escreve barbaridades. Cheguei a ler, por exemplo, numa coluna do Diário de Notícias que os subsídios servem para pagar os almoços dos artistas. Também fiquei farta das diversas variantes do provérbio que diz qualquer coisa como que quem é pobre, não tem vícios.
São estas as palermices que é preciso contrariar. E, nesse sentido, o dossier do Público é a resposta certa no momento certo. Espero que tenha algum efeito e que a reacção do chauffeur neoconservador do Araúxo seja uma excepção. Por seu turno, a minha choiffeuse, depois de ter lido o jornal, ficou indignada. Exclamou logo, enquanto dava enérgicas escovadelas: "Mas que coisa chata, misturar uma coisa tão bonita como a cultura com o dinheiro!"
11/08/2006
Schubert de verano

Como he andado este verano en la luna, no he reparado hasta hoy en esta maravilla, disponible en el catálogo de la Naxos desde el pasado mes de agosto. Es el estreno del Kungsbacka Trio en la editora y, francamente, no podía haber sido mejor.
Mujeres españolas en Naxos

Jordi Masó presta de nuevo su pianismo cristalino a Joaquín Turina, en este tercer volumen dedicado por la Naxos a la obra pianística del compositor sevillano. A mí, muy sinceramente, sus retratos femeninos me parecen bastante remilgados y previsibles, sin embargo, sirven maravillosamente para hacer valer las cualidades del pianista. O sea, que casi podría haber escrito, al contrario, que Turina presta, de nuevo, sus partituras cristalinas a Jordi Masó.
A veces, al escuchar otros discos anteriores, sentí en Masó una cierta falta de identificación emocional con lo que estaba tocando o, con otras palabras, una especie de autocontrol que parece no adecuarse demasiado bien a estas españoladas. Sin embargo, éste me ha dejado con curiosidad, a la espera del cuarto volumen de la integral de Turina. Óigase, por ejemplo, "La andaluza sentimental" o "La mocita de barrio" para entender lo que quiero decir.
11/07/2006
Ha ocurrido
El índice del volumen, firmado por J. Peter Burkholder (Universidad de Indiana), juntamente con los históricos Donald Jay Grout y Claude V. Palisca, puede ser consultado aquí o aquí. Las obras incluidas en la antología, elaborada por Burkholder y Palisca, pueden verse aquí.
Bessie, Louis, Dizzy, Duke, bienvenidos al canon.
Futurismo rivolucionário
Conforme o jornal Público de hoje, a despesa total com cultura da Câmara do Porto atinge os 4,6 milhões de euros (2,03% do orçamento), dos quais foram atribuídos 100 mil em subsídios. Estes são os que Rui Rio anunciou que vai cancelar. Apoiaram apenas as seguintes organizações: Fantasporto (30 mil), Festival Internacional de Marionetas (10 mil), Festival Internacional de Teatro Ibérico (25 mil), Fazer a Festa (20 mil) e Fundação Eugénio de Andrade (15 mil).
Compare-se com os números de Lisboa (a fonte continua a ser o Público): 30 milhões de euros (5% do orçamento), dos quais 1 milhão se destinam a subsídios. Ou seja, o presidente da Câmara do Porto em parte tem razão: os seus subsídios são esmolas.
Tal como Manuel Carvalho interpreta no artigo que assina assina também hoje no Público (intitulado "Rui Rio, a genealogia da moral pública" e que, como se sabe, só está disponível para assinantes), o gesto situa-se algures entre o amuo pessoal e a censura institucional.
A ler, ainda: o post publicado no passado dia 22 no Coriscos (que foi precedido por este). Vêm a propósito do apoio recebido por Rui Rio da parte de pessoas que, aparentemente, não sabem muito bem de que falam quando escrevem sobre o "tecido cultural" da cidade do Porto.
10/31/2006
La radio de los estudiantes de mi licenciatura
PROGRAMA 2
(3 de noviembre a las 12,00 - 15,00 y 22,00 horas) - (5 de noviembre a las 12,00 - 22,00 horas) en http://www.hcmradio.tk3.net
1. YASUO KUWAHARA: Canción del otoño japonés. Orquesta Tablatura (plectro-fusión). Adolfo Prado García (director). Mercedes La Lueta Taravillo (miembro).
2. STJEPAN SULEK: Sonata Vox Gabrielli. Jesús Vicente Monzó (trombón). José Manuel Sánchez Ramírez (piano).
3. Mª LUZ CHAMORRO: Divertimento para orquesta de cuerda (1999). Mª Luz Chamorro Trujillano (compositora). Orquesta Manuel de Falla. Juan Luis Pérez (director).
4. CLAUDE BOLLING: Picnic Suite (3 movimientos). Beneharo Déniz Almeida (flauta). Sergio Gil (guitarra). Héctor Muñoz (piano). Leandro Ojeda (contrabajo). Amelia Gutiérrez (batería).
Endogamia en la universidad
TRIBUNA: AULA LIBRE MIGUEL DELIBES DE CASTRO*
"Uno de los nuestros..."
MIGUEL DELIBES DE CASTRO*
EL PAÍS - 30-10-2006
Aunque apenas despierta interés en la sociedad, pocas cosas tienen tanta trascendencia para nuestras expectativas de vida como la selección del profesorado universitario. Elegir mal nos hace perder el tren del desarrollo y la innovación, disminuye las oportunidades de nuestros hijos en una sociedad tecnificada y compleja y dilapida de forma absurda nuestro dinero: un profesor malo cobra lo mismo que uno bueno y, no lo olvidemos, ellos formarán a los futuros médicos, jueces, arquitectos. Para que la universidad cumpla con su papel como motor del desarrollo, debe seleccionar a los mejores profesores en base a criterios de excelencia docente e investigadora. Por desgracia, en nuestro país los profesores universitarios se seleccionan con demasiada frecuencia por procedimientos poco transparentes, donde amiguismo y enchufe pesan sustancialmente más que la investigación y la docencia.
En la universidad, los catedráticos deberían ser los máximos referentes en cuanto a excelencia. Por ello conviene seleccionarlos con sumo cuidado. Sin embargo, desde hace décadas la selección de catedráticos se ve, no pocas veces, alterada por un sistema de padrinazgo, amparado en una estructura de áreas de conocimiento que establece una red de intercambio de favores entre catedráticos ("yo voto a tu candidato para que luego tú votes al mío"). Como resultado, a los aspirantes les sale más a cuenta "buscarse un padrino" que buscar la excelencia docente e investigadora. En un tímido intento, la Ley Orgánica de Universidades (LOU, 2002) promovió el examen nacional de habilitación para enmendar esta situación. Siete miembros, elegidos por sorteo, deciden qué candidatos pueden llegar a ser catedráticos. El funcionamiento del sistema está defraudando buena parte de las expectativas que algunos pusieron en él.
Si pretendemos de una vez por todas que la selección del profesorado se realice en función de los criterios de excelencia que caracterizan a una universidad moderna, tenemos que asegurar, por un lado, que los tribunales de selección estén compuestos por los profesores más idóneos, y por otro, que sus decisiones sean totalmente transparentes. En el proceso de selección de profesores en cuanto a su capacidad científica, existe un sistema aceptado internacionalmente que permite valorar la calidad de su trabajo. Los científicos tratan de publicar sus investigaciones en las mejores revistas internacionales de su especialidad. La calidad de una revista científica se mide por un número llamado "índice de impacto". Pero los editores sólo publican los mejores manuscritos que reciben, rechazando los demás tras un complicado proceso de evaluación en que el anonimato garantiza el juego limpio. Cuanto mayor impacto tiene una revista, más difícil es publicar en ella. Los buenos científicos, capaces de publicar en las mejores revistas, tienen más "índice de impacto" -obtenido como la suma del impacto de todas sus publicaciones- que los malos. Dos agencias internacionales (Institute for Scientific Information, ISI y SCOPUS) permiten hacer estas evaluaciones. Cualquier persona puede entrar en sus páginas web y averiguar la calidad de un científico. En consecuencia, no existe justificación alguna para que una comisión de selección no elija correctamente.
Sin embargo, varias comisiones siguen saltándose a la torera todas las indicaciones objetivas de calidad. Sirva de ejemplo una reciente habilitación de catedrático de universidad (la número 1/700/0904) celebrada en la Facultad de Veterinaria de la UCM. La plaza en cuestión era para un área de conocimiento muy delicada, la producción animal, donde una mala selección puede tener graves consecuencias sobre la salud pública (recordemos las vacas locas, dioxinas, acumulación de pesticidas, metales pesados y otras conocidas intoxicaciones alimentarias, resultado de una mezcla de baja cualificación y mala praxis en la producción animal). La persona con mayor índice de impacto (119) fue la menos votada de los que pasaron el primer ejercicio (currículum vitae). Sorprendentemente, el candidato más votado sólo tiene un índice de impacto de 26 (casi 5 veces menor). El caso viene explicado en detalle en la revista Apuntes de Ciencia y Tecnología número 19, páginas 17 y 18 (versión electrónica en http://www.aacte.es). Como por desgracia estas situaciones son mucho más comunes que lo deseable en la selección del profesorado, la pregunta clave es: ¿por qué muchos tribunales de habilitación seleccionan tan mal, máxime cuando un catedrático bueno cobra igual que uno malo y en las universidades españolas y OPIs hay excelentes científicos para seleccionar al profesorado? Existen tres causas evidentes:
1. Falta de rigor en la selección de los miembros de las comisiones nacionales. Sigamos con el anterior ejemplo: el presidente de dicha Comisión Nacional de Habilitación (un catedrático del departamento de Producción Animal de la Facultad de Veterinaria de la UCM), sólo tiene un impacto sumado de 4.4. Sin embargo, no tiene problema en juzgar (y rechazar) a candidatos con un currículo cuyo impacto objetivo es 29 veces mejor que el suyo. Desgraciadamente, esta situación está más extendida de lo razonable: el currículo del presidente de la anterior Comisión Nacional de Habilitación de Producción Animal no es mejor que el del actual. Pero, como a todo hay quien gana, la guinda la pone el que va a ser presidente de la próxima Comisión Nacional de Habilitación (un catedrático de la Escuela Superior de Ingenieros Agrónomos de Madrid). Gana por goleada (0 artículos, 0 de impacto sumado). Que alguien pueda llegar a catedrático sin haber publicado ni un solo artículo en una revista internacional de impacto ya es más que sorprendente, pero que además vaya a presidir la siguiente comisión nacional de habilitación indica que algo muy grave está pasando en la universidad española. Ver más detalles en Apuntes de Ciencia y Tecnología número 19, páginas 17 y 18 (versión electrónica en http://www.aacte.es).
2. Total impunidad: como un tribunal no tiene que dar explicaciones a ninguna instancia superior (en la práctica, sólo se les exige respeto a las formas del proceso ya que son soberanos respecto al fondo de su decisión), puede elegir sin que la más descarada de las arbitrariedades tenga consecuencias. Como resultado, los contribuyentes terminamos pagando de por vida el sueldo a quienes son hábiles para conseguir el favor del tribunal y no a los buenos investigadores y docentes. Asimismo, pagamos a un tribunal (dietas, hoteles) que representa al Estado (y, por tanto, a nosotros) para que al final haga lo que quiera y no lo que deba.
3. Amiguismo sistemático. En la universidad española han accedido a catedráticos excelentes científicos. Sin embargo, en demasiados casos la adjudicación de plazas se rige por una ética perversa. El incompetente defiende su puesto manteniendo alejados a los profesionales de excelencia. Para ello mantiene un sistema de padrinazgo ("mi candidato es fulanito", "le debo un favor a menganito"), aderezado por una retórica imposible de entender fuera de la universidad ("no da el perfil", "no es lo normal en el área"). Fomenta siempre al protegido cuya virtud principal suele ser la servidumbre. Y sobre todo pretende convencer de que la selección del personal docente e investigador en la universidad es una cosa tan compleja que la sociedad civil no está capacitada para opinar. La realidad es que cualquier jefe de recursos humanos, de empresas competitivas, seleccionaría mejor.
Lo queramos o no vivimos en una sociedad de ciencia, tecnología e innovación. Si seguimos separando el grano de la paja para quedarnos con la paja nuestro país perderá el tren del futuro. Hay que hacer que la sociedad exija una universidad que se corresponda con nuestro nivel socioeconómico, en la que los criterios de excelencia científica y docente destierren a los sistemas de padrinazgo-servidumbre. Recordemos que durante la transición española se demostró que buena parte del sector industrial estaba obsoleto y era inviable. Con gran sacrificio, la sociedad afrontó una reconversión industrial dolorosa que afectó a miles de personas. Pese a sus grandes costes no perdimos el tren del progreso y la competitividad industrial. Quizás ahora ha llegado el momento de hacer una profunda reconversión en la universidad, sin duda difícil, pero necesaria.
Firman este artículo Miguel Delibes de Castro. Profesor de Investigación. CSIC. Premio Nacional de Investigación Alejandro Malaspina. Fernando Hiraldo. Profesor de Investigación. CSIC. Director de la Estación Biológica de Doñana. Premio BBVA de Investigación en Biología de la Conservación. Joaquín Tintoré Subirana. Profesor de Investigación. CSIC. Director de IMEDEA. Premio Nacional de Investigación Alejandro Malaspina. Manuel Toharia. Presidente de la asociación española para la comunicación científica. José Antonio Donazar. Profesor de Investigación. CSIC. Xim Cerdá. Vicedirector de Investigación. EBD. CSIC. Javier Juste. Ex vicedirector de Investigación. EBD. CSIC. Antonio Delgado. Estación Experimental del Zaidín. CSIC. Luis Rull. Catedrático. Universidad de Sevilla. Juan Martínez Hernández. Jefe de Servicio de Medicina Preventiva y Salud Pública. Hospital Carlos III. Madrid. José Luis Blanco. Profesor Titular. Universidad Complutense. Antonio Rodríguez Artalejo. Catedrático. Universidad Complutense. Eduardo Costas. Catedrático. Universidad Complutense
10/30/2006
Fazer sentido
Pelos vistos, e porque o Museu de Arte Popular "não faz sentido", no seu lugar, ficará o futuro Museu da Língua Portuguesa. Incomoda esta incapacidade para conviver com a história e o desejo de "reescrevê-la". Diverte a ideia de "museologizar" uma língua, digna de Teófilo Braga no seu melhor e com derivações de branqueamento post-colonial evidentes. Finalmente, chateia que venham anunciar Museus da Língua Portuguesa, enquanto, por exemplo, a Biblioteca Nacional exibe diariamente as marcas do seu reduzido orçamento (precisamente, sempre visíveis nas suas sempre interessantes e pertinentes exposições).
10/29/2006
Libros de música
10/02/2006
Algumas notícias que amavelmente me enviaram
Eurico Pereira, guitarrista e um dos alunos mais simpáticos e talentosos que tive em Évora, apresenta-se em Lisboa no próximo dia 19, nos "Momentos de Música" do Banco de Portugal.
9/30/2006
Lopes-Graça e a vanguarda
No artigo a que o anterior post faz referência, Augusto Seabra cita, aparentemente de memória, uma entrevista que Jorge Peixinho deu em inícios da década de 70. Foi publicada na revista Crítica, criada e dirigida por Eduarda Dionísio e Jorge Silva Melo. Conforme diz Seabra, Peixinho teria posto reservas em relação ao concerto para violoncelo que Lopes-Graça tinha escrito alguns anos antes para Rostropovich. A obra foi estreada em Moscovo em 1967 e, em 1969, foi apresentada em Lisboa, no âmbito do XIII Festival Gulbenkian de Música.
Confesso que não conhecia essa referência, pelo que fui logo para a Biblioteca Nacional para consultar o dito periódico. Infelizmente, a colecção que ali se guarda está ainda por encadernar, pelo que não pode vir a consulta. Na Hemeroteca Municipal, está em restauro: ou seja, mais do mesmo. A memória história que Seabra invoca no seu texto, como vemos, não é, por vezes, tão fácil de reconstituir. Há exemplares da Crítica em no Porto e em Coimbra, mas também não dá para ir lá de um saltinho, assim de repente…
Adiante. Seabra lembra ainda que o teor do comentário de Peixinho provocou uma resposta em forma de carta, enviada por Manuel de Lima ao Diário de Lisboa, onde Vieira de Carvalho era então crítico musical. Quanto a Manuel de Lima, não conheço de forma global a sua actividade jornalística, mas, nos textos da sua autoria escritos a propósito de Lopes-Graça que tenho tido a oportunidade de ler, parece-me ser uma personagem de perfil, usando a expressão de forma libérrima, bastante… libertário.
Não consultei a revista (embora vá fazê-lo, claro), mas achei interessante – apenas por dar uma achega relativa à questão da relação de Lopes-Graça com a vanguarda, ou melhor, da “vanguarda” com Lopes-Graça – lembrar que o movimento de aproximação e apropriação da sua figura tinha partido do próprio Peixinho alguns anos antes. Está bem exemplificado no “ensaio de interpretação morfológica” que fez do Canto de Amor e de Morte (1961), publicado na brochura do III Ciclo de Cultura Musical. Fernando Lopes-Graça, editada por uma associação (à qual, se não estou em erro, Vieira de Carvalho estava ligado) da Faculdade de Direito de Lisboa em colaboração com a Juventude Musical Portuguesa em 1966.
Uma coisa interessante, do ponto de vista da biografia de Lopes-Graça, é que este episódio confirma a facilidade com que conseguiu manter ligações – pessoais e artísticas – com os “novos”, um aspecto do seu percurso que tem contribuído, em certa medida, para distorcê-lo. Exemplo disso foi a transformação de Lopes-Graça no compositor nacionalista-progressista pela pena de João José Cochofel, pertencente a uma geração posterior. Ou seja, a partir de elementos seleccionados que, no entanto, estavam presentes nas reflexões estéticas de Lopes-Graça e na sua obra, foi construída uma imagem da figura do compositor em inícios da década 40. Tal como, em meados da década de 60, foi construída outra mais acorde com o tempo.
O que vem a seguir já não tem nada a ver: em fins de Outubro vou leccionar 1 crédito (ECTS) num Máster da Universidade de Salamanca, no âmbito de uma cadeira de 10 créditos dedicada à música do século XX que inclui também Portugal. Obviamente, vou dedicar uma boa parte do meu (reduzido) tempo a Lopes-Graça, de resto, como não podia deixar de ser. O artigo de Augusto Seabra chegou, portanto, para mim no momento certo: os estímulos externos à autista musicologia dita académica são particularmente bem-vindos e agradecidos nestas situações.
9/28/2006
Augusto M. Seabra no seu melhor
As questões levantadas por Augusto M. Seabra no artigo "Chostakovich 1975-2006, memória e trajecto" não são, de todo, inocentes nem, menos ainda, inconsequentes. Vão ao cerne da questão da transformação do campo artístico na arena da luta pela obtenção ou conservação do poder, escolhendo como objecto de reflexão duas figuras – Chostakovich e Lopes-Graça – cujo percurso criativo incita particularmente este tipo de reflexões e comparações.
Será para ele bastante fácil recuperar no próximo mês de Dezembro artigos assinados por Mário Vieira de Carvalho quando, na altura em que era perito em teoria leninista (uma formação que lhe tem sido útil no seu percurso de intelectual orgânico, cuja coroa é o lugar que hoje ocupa no governo), contribuiu com zelo para fazer da figura de Lopes-Graça uma versão do bom engenheiro de almas em clave musical, herói de banda desenhada inserido numa narrativa de libertação nacional atingida através da luta de personagens bons, justos e sábios contra malvados batoteiros e patetas.
Eu, acho que diferentemente de Augusto M. Seabra, não consigo deixar de sentir certa empatia com essas duas figuras – como a sinto em relação a Britten, mencionado no artigo, ou a outros compositores da mesma geração que Seabra não tinha por que citar, mas que fazem parte do mesmo lote, como por exemplo Copland – porque preservaram o que é humano - desculpem a ingenuidade da expressão – no meio do canibalismo em estado puro.
“Não existe documento de cultura que não seja documento de barbárie. E a mesma barbárie que os afecta também afecta o processo de sua transmissão de mão em mão.” Benjamin sempre fica bem. Escovar a história a contrapelo não é o caminho que conduz ao céu.
8/18/2006
Crumb en Naxos
7/10/2006
Discos de verano


Éste se puede completar con este otro, dedicado a Takemitsu y lanzado este mes. Y, ya puestos, puede servir como excusa para interesarse por la discografía de Marin Alsop disponible en la Naxos. Por ejemplo, por su versión de las dos primeras sinfonías de Brahms, grabadas hace relativamente poco tiempo con la Orquesta Filarmónica de Londres.
7/07/2006
Luís Pena no World New Music Festival
7/06/2006
7/05/2006
Discos de verano


No sé por qué (bueno sí sé: por el rubato y por los tempi lentos, así como por la atmósfera sonora de salón finisecular a la luz del crepúsculo - perdonen, una tiene días así), estos valses me hacen pensar en La Habana, ciudad que, como adivinarán al leer este comentario, nunca he visitado.
Descubrí a Tharaud a través de su disco con obras de Kagel, que me gustó mucho. Después, vino el resto: primero, Couperin en la última Festa da Música en Lisboa; después, Bach, Rameau, Ravel y, ahora, Chopin en disco. La versión no sustituye ni a la de Rubinstein ni a la Lipatti, claro, pero tampoco parece que lo pretenda.
Isto já é antigo
Os fantasmas da Arte e da Cultura atacam de novo, mas não assustam ninguém. Nem sequer provocam um leve frissonement.
7/04/2006
Trio Vianna da Motta
Emanuel Salvador ( é, desde Setembro de 2006, concertino da Orquestra do Norte. Em Fevereiro tocou o Concerto de Mendelssohn com a Skolia Orchestra e em Novembro vai-se apresentar com o concerto de Beethoven. Em Portugal vai também tocar os concertos de Freitas Branco e de Shostakovich, com a Orquestra do Norte.
Nuno Marques terminou agora o Master's Degree in Music Performance, no Royal College of Music e pensa continuar em Londres no próximo ano.
Carina Albuquerque, por seu turno, está agora fazer o curso de Música de Câmara, na mencionada Guildhall School of Music and Drama, como membro do quarteto "Da Capo". Receberam agora uma bolsa de estudo completa da Guildhall School, para prosseguir no segundo ano do curso, num novo programa (Guildhall Artistic Diploma). O quarteto vai-se apresentar no Barbican Hall, em Julho, e no Paxos Festival, na Grécia, em Setembro.
É só clicar aqui. Assim poderão perceber as razões pelas quais tive de falar sobre eles no blog.
6/27/2006
Luisa Fernanda en el Teatro Real
Qué lleva a un hombre a ver Luisa Fernanda. Ésa es una buena pregunta. Pero todavía es mucho más difícil responde a otra: qué lleva a un teatro como el Real a programarla. Eso sí que es difícil.
Cuando uno ve los debates y diatribas que en el siglo XIX se daban en relación a la ópera nacional puede comprobar que la situación no ha cambiado tanto. Por lo que se ve, parece forzado y obligatorio demostrar la grandeza del arte patrio y el amor al terruño, y siempre recurriendo a la misma expresión chabacana de la cultura y la historia de la música española.
La historia de Luisa Fernanda viene a ser algo así: Luisa Fernanda quiere a José, un soldado trepa que ha llegado a coronel. Dada su nueva situación, el gachó responde a los halagos de una miembra de la aristocracia y, claro está, Luisa Fernanda, no puede en sí de rabia contra el Antiguo Régimen y toda la opresión que conlleva. Así que convence a Vidal, un extremeño de pura cepa (por lo noble y lo calzonazos) para que se una en una revolución contra
Ante un argumento tan solemnemente burdo sólo podía corresponder una música que tiene bastante de ramplona y chabacana, y aunque algunos números puedan ser salvados de la quema el resultado final es bastante mediocre, especialmente si la comparamos con las obras contemporáneas (más o menos) a ésta (se estrenó en 1932) que ha puesto en escena el Real este año: Desde la casa de los muertos y Diálogo de carmelitas.
Para culminar lo cutre-salchichero (y españolisísimo) de la función, la dirección de escena correspondió a Emilio Sagi que, aunque mejorando bastante su estándar y sin llegar a los niveles de mal gusto que mostró en El barbero de Sevilla, nos presentó una escena carente de imaginación, llena de elementos arbitrarios y recursos ramplones (el uso del blanco y el negro, las sombrillas, etc.). La orquesta fue espantosa, absolutamente plana, sin ninguna chispa, ofreciendo una continua sensación de agotamiento. Pese a que respeto profundamente a López-Cobos, desde luego no fue ésta su noche. Por lo que se refiere a los cantantes, la valoración es muy desigual. Las tres sopranos, Pierroti, Montiel y de
Afortunadamente, el camino de vuelta lo hice en compañía de John Coltrane…
6/25/2006
Conciertos en la periferia
Cuando alguien piensa en
El pasado día 19
Diálogo de carmelitas en el Teatro Real de Madrid
Salve Regina, mater misericordiae... Y el público, ¡hala!, llora que llora…
Es increíble el efecto que una ópera puede llegar conseguir en su auditorio, y más aún si tenemos en cuenta las voces que califican Dialogues des carmelites de fantochada nacionalcatólica. No obstante, si fue capaz de hacer saltar alguna lagrimita a una tropa de descreídos apóstatas como la que estábamos no hace mucho en el Teatro Real, habrá algo más, digo yo.
Aparte de la música de Poulenc, que no puedo dejar de adorar (cada uno tiene sus taras, y no en vano también me gusta el funky) hay que reconocer que la puesta en escena multiplicó el impacto ya enorme de la obra. Fiel a sus principios, Carsen vació la escena reduciéndola al recreo simbólico más esquemático y sobrio. La fuerza del color, no tanto del blanco contra el negro sino, sobre todo, el uso de ese gris amenazante por su imposición, recordaba algo del esquematismo aterrador del Dies Irae de Dreyer, aunque, todo sea dicho, sin su hondura metafísica y existencial y, sobre todo, sin su exaltado pesimismo.
A pesar de la lectura ideológica más que sospechosa que realiza Poulenc (la revolución como eliminación de las diferencias naturales y como imposición de un régimen arbitrario basado en la mediocridad) lo cierto es que el patetismo del espectáculo resulta conmovedor y quizá nos debe hacer recordar que algunas de las peores dictaduras de la historia se han hecho en nombre del pueblo (hay algunos que no acabamos de comprender un gobierno como el de Pol Pot o el chino, único en su objetivo de unificar las peores caras de capitalismo, comunismo y feudalismo oriental). Lo cierto es que incluso un apóstata como yo quedó tocado por el dramatismo de un final pese a que ya lo conocía de sobra. Y es que Carsen, en su magníficamente sobrio final, consiguió transmitir todo ese ideal de pureza del mártir frente a la barbarie de la revolución. Vestidas con el más pulcro de los blancos, preparadas para el sacrificio, con una poderosa luz blanca iluminando cada uno de esos pequeños ángeles, frente a un fondo terriblemente gris y frente a los sonidos de la guillotina, el final heló la sangre de casi todos los espectadores. Eso sí, no de todos. Por supuesto, el indocumentado de siempre, el gilipollas del ¡Bravo!, estaba esperando agazapado en la sombra, como siempre. Este eunuco intelectual, que duerme mientras transcurre la ópera y se despierta para gritar ¡bravo!, diez segundos antes de que ésta concluya, ése no. Pero rompefinales aparte, el resultado fue especialmente conmovedor. Igualmente delirante fue el dramático final del primer acto, con un uso excepcional de la iluminación.
La orquesta estuvo en su línea habitual, es decir, en un estado intermedio entre regular y mal, con especial preferencia para no tocar a la vez o para que los metales no dieran las notas que son. Las cantantes estuvieron aceptables, con el añadido de ver a Raina Kabaivanska en un pequeño papel o ver a Patricia Petibon, de cuya página web soy un profundo admirador. López-Cobos regular.
El día 30 es la última función, así que, por favor, que nadie que pueda se lo pierda. Yo la veré por segunda vez.
6/23/2006
6/21/2006
Roberto Sierra recuerda a su maestro, Ligeti
Roberto Sierra
Hacia el verano de 1979, cuando me encontraba viviendo en Utrecht, no sabía qué rumbo iba a tomar mi vida: o me quedaba un año más en Holanda (idea que no me apetecía), o regresaba a Puerto Rico, idea que, a pesar de la nostalgia, no me apetecía. Por casualidad encontré un folleto sobre unos cursos de verano que ofrecía el Centre Acanthes de Aix-en-Provence. Anunciaban la participación de György Ligeti, compositor que yo conocía por referencia de grabaciones, o por haber escuchado algunas de sus obras durante mis estudios en Londres. Decidí asistir al curso, y una tarde, después de una de sus conferencias, Ligeti pidió a los participantes que le sometieran obras para él comentar sobre ellas. Después de haber examinado mi primer Cuarteto para cuerdas, Ligeti me pregunta: “¿Qué planes tiene para el año entrante?” Yo le contesté que no tenía nada pensado en particular, a lo cual él inmediatamente respondió: “¿Por qué no viene a Hamburgo a estudiar conmigo?” Este fue el comienzo de una relación que duró varias décadas, primero como alumno (1979-82) y que luego pasó a ser de amistad.
Una de las preguntas que comúnmente se me hace es: ¿cómo fue Ligeti como maestro de composición? Se me hace siempre difícil contestar de forma concreta esta pregunta, ya que no puedo decir nada específico que satisfaga como respuesta. Sencillamente no había un método, y, sobre todo Ligeti muy raras veces hablaba de sus obras o discutía su forma de componer. Las clases en aquel tiempo eran los martes en su departamento de Hamburgo, y los alumnos comenzábamos a llegar a eso de las 2 PM. Cuando alguien tenía algo que mostrar se discutía, y todos aportábamos comentarios. A Ligeti raras veces le gustaba algo de lo que los alumnos hacían. Era muy severo en sus observaciones, como si nos estuviese recordando que al final de la jornada cualquier compás que se componga será puesto en oposición no resècto a la obra del colega que teníamos sentado al lado, sino a la luz de los Preludios y Fugas de Bach, los Lieder de Schubert o la gran obra pianística de Chopin y Schumann. Aquí fue donde de manera abstracta estaba la gran lección, en no conformarse con lo primero que le viene a uno a la cabeza, sino con aspirar a lo inalcanzable.
6/20/2006
6/12/2006
Fallece Ligeti
En el site de La Nación de Buenos Aires ha sido publicada esta tarde la noticia del fallecimiento de György Ligeti, como se sabe, el mejor compositor de la segunda mitad del siglo XX.
6/09/2006
O silêncio como resposta
Esta omissão, digo eu, deveria ser, até, motivo de frustração para Graham Vick, o qual desenvolveu uma abordagem distanciada para, actualizando-a, retirar qualquer verniz mitológico à obra de Wagner. Por exemplo, (como assinalou, embora en passant e de forma bastante confusa, A. M. Seabra no Público), sublinhou um dos sub-textos do Ouro, associando os malefícios do poder à tecnologia. Temos, assim, em palco gigantes da construção, nibelungos viciados em tecnologia da informação e deuses possuidores de armas de destruição massiva…
Achei divertido que a crítica do Financial Times omitisse a referência à caracterização dos nibelungos como yuppies amarrados à cocaína, aos portáteis e às cotações da bolsa. A menhor maneira de neutralizar os efeitos críticos da provocação é ignorá-la. Mas será que a provocação, num espaço como o São Carlos, é possível?
6/08/2006
Crítica desconstrutiva
Ó Senhor Anónimo, faça favor, argumente contra os argumentos, não contra as pessoas.
6/05/2006
Era mejor de lo que sonó
Hace un rato, Henrique (del blog Crítico Musical) estuvo comentando conmigo los problemas acústicos que, nos parece, se derivaron de la ubicación de la orquesta en el teatro. Abundando en el penúltimo post, casi diría que asistimos en el São Carlos a la utilización dramaturgica de la partitura orquestal wagneriana como una especie de banda sonora malgrè soi.
Conferência por Carlos Araújo Alves
Para mais informação, é só clicar aqui.
Mundo e democracia
Resumindo, o que o Augusto M. Seabra nos comunicou é que a encenação se aprecia muito melhor dos camarotes do que da plateia, colocada no espaço onde habitualmente está o palco do São Carlos. Isso serviu-lhe de argumento para demonstrar que, afinal, a montagem não é tão democrática assim e que, portanto, é um “falhanço clamoroso”. O crítico concluiu, em boa lógica (dele), referindo os desacertos das trompas e dos trombones da OSP.
Quando depois li a entrevista, admirou-me que Vick não falasse literalmente em democracia para comentar a sua versão. Deixou, porém, clara a sua filiação brechtiana. Ou, com as palavras de Brecht (traduzidas da tradução espanhola, desculpem) que o encenador britânico não citou: "Quando se vê que o nosso mundo actual já não cabe no drama, então o que acontece é que o drama já não cabe neste mundo"... O teatro, a encenação, como mundo, não como democracia.
A encenação resultou, no entanto, no sábado uma espécie de espelho da nossa democracia tal como esta existe através da TV. Nesse dia, a representação foi, de facto, filmada pela RTP e projectada sobre um écram gigante instalado no Largo do São Carlos. Por isso, o cenário transformou-se num enorme platô de televisão. Só faltou uma acalorada e descriminada (na leitura de Seabra) plateia actuando conforme o guião.
Bom, bem pensado, nem sequer isso faltou.
6/04/2006
6/03/2006
O DVD, já!
A encenação que fez Graham Vick do Ouro do Reno para o São Carlos vai dar para vários posts: isto é só o começo. Lamento sinceramente por aqueles que ainda visitam este blog e têm o bom gosto de serem anti-wagnerianos ferrenhos.
Um Anel feminista na Dinamarca...
Theatre - Shock and awe
Michael Portillo
Monday 5th June 2006
A lavish Danish Ring is often silly, occasionally sublime, writes Michael Portillo
The Ring Cycle
Copenhagen Opera House
The Copenhagen Ring cycle is fundamentally anti-Wagnerian. The composer employed timeless myths, but director Kasper Bech Holten has miniaturised the piece by converting it into a family saga. While Wagner constantly transfers our sympathies from one character to another - from Wotan to Siegmund and Sieglinde, then on to Siegfried, and finally to Brünnhilde - Holten sees through Brünnhilde's eyes alone.
During the overture to Das Rheingold the heroine appears in Wotan's attic, rummaging through the family archives to discover the truth of her past. As we learn when we reach Götterdämmerung, the final part, this attic scene supposedly occurs as Hagen and Gunther have gone out to kill her husband, Siegfried. From the opening bars of the first opera until the final act of the last, we are in flashback mode.
At the cycle's climax, Holten, the programme tells us, sees Brünn-hilde "carrying out her final rebellion against her father's way of thinking - the masculine way - which has poisoned her own life". Holten says that his production "shift[s] gears between reminiscences represented at face value and the dreamy, unrealistic, pompous moments that Brünnhilde herself experiences as 'mythological'". The implied curl of the lip on "pompous" and "mythological" suggests deep hostility to Wagner.
I have no objection to new interpretations of the Ring, but it is a pity to reduce a work that explores the vast issues of the human psyche to one woman's experience in a 20th-century family - especially if the conclusion tritely ascribes all blame to the male of the species, with his addiction to violence and power.
Seeing Holten's Ring, however, is in parts as uplifting as reading his intentions is depressing. Of course, some of the nonsense does make its way on to stage. Wotan cannot be allowed merely to seize the ring that gives unlimited power from Alberich's finger. No, he must saw off his arm (leaving it swinging from a chain). Since this Wotan is just a thug (who then murders Loge, the god of fire), it is in-explicable that Brünnhilde can love her father. Nor can the audience feel that Wotan struggles between greed and duty, which is essential if we are to engage with the piece.
In Holten's production, Siegfried grows up in a house with television and Jimi Hendrix posters, so he is hardly likely to believe (as in Wagner's text) that the Nibelung dwarf Mime is both his father and mother. Siegfried goes on to discover not a vicious dragon but a Wizard of Oz-style fraud by the giant Fafner. He is harmless, but Siegfried (being a violent male, you understand) stabs him in the back anyway. The Götterdämmerung is almost too silly to watch. After Brünnhilde has sung of her immolation, she decides to avoid it and have a baby instead. I presume it is a girl. Women are the future.
Overlooking such idiocies, the production has much to offer. The stagecraft in Copenhagen's wonderful new opera house is awesome. Set designs by Marie Dali and Steffen Aarfing are often miniaturised, but (as in the case of Hunding's hut at the moment when Siegmund and Sieglinde feel the onset of spring) they can be transformed in seconds by a radical broadening of the visible stage area and a rotation of the scenery. Even when the idea is tiresome the set can be magnificent, as when Wotan calls on Erda at her down-at-heel apartment, where the old earth goddess lies dying.
The new theatre stands on regenerated dockland. Shaped like an aircraft carrier with a rounded glass bow, it squares up across the harbour, with Haussmann-esque symmetry, to the Amalienborg Palace and the dome of Frederik's Church. The auditorium is a giant salad bowl connected to the concrete exterior by bridges. Inside, its woods glow in yellows and reds. And yes, dear New Statesman reader, it was given to the city by Denmark's leading capitalist, Maersk McKinney Møller. The architect, Henning Larsen, is Danish. It is a triumph that a country of five million can design its own opera house and supply nearly all the singers for Wagner's Ring.
Not surprisingly, few of the performances are world-class. So it is a pity that Michael Schønwandt conducts too loudly for his struggling vocalists, though the orchestra makes a splendid din. Stig Fogh Andersen is superbly melodious as Siegmund, and as Siegfried in Götterdämmerung he battles well against the production's piffle. Stephen Milling is a formidable Hunding - who does not get killed!
This being my last column, it remains only for me to bid all you lefties farewell. Thanks for having me. For over two years this column has been under male control, and therefore obsessed with power and violence. All that will change. Women are the future.
... e o Anel de Lisboa no Financial Times
Das Rheingold, Teatro Nacional de São Carlos, Lisbon
By Shirley Apthorp
Published: May 31 2006 17:23 | Last updated: May 31 2006 17:23
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Alberich is exceptionally well-endowed. Rejected by the Rhinemaidens, he rocks on his haunches, cradling his metre-long member. For a moment, when he swipes the disco-ball Rhinegold from these blue-frocked party-girls, self-castration looks likely. But no. He keeps the appendage, and it reappears in Nibelheim, thick as a man and as wide as the stage.
Fortunately, Alberich’s organ is not the most arresting aspect of Lisbon’s new Rheingold. Graham Vick and his design team have turned the theatre backwards, with the stage where the stalls should be. This is Wagner in the round, with the audience close to the action and the orchestra beneath the new stage and spilling out below the royal box. This gives enough space for a Wagnerian orchestra (not possible in the historic house’s small pit) and hydraulic lifts. But while the overhead stage reduces the covered sections of the orchestra to an authentically Bayreuthian rumble, the unroofed violins are mercilessly exposed.
Vick’s staging borrows from cartoon superheroes and film. Donner and Loge wear baseball gear, Freia is a dead ringer for Marilyn Monroe, Fasolt and Fafner drive fork-lifts and the Nibelungs snort coke.
Often the ideas seem at best tenuously linked, but this may change as the Lisbon Ring unfolds over the next three years. So far, it is certainly not dull.
The cast is young, committed and well-matched. Will Hartmann’s Loge is a bundle of energy, Johann Werner Prien’s Alberich lithe and sonorous. Keel Watson’s compelling Fasolt is flawlessly articulated, Stefan Ignat’s Wotan is best in the middle registers. Emilio Pomàrico holds everything together and brings stringent logic, though little burnish, to the score. He was more in his element conducting Aureliano Cattaneo’s La philosophie dans le labyrinthe at last month’s Munich Biennale, a striking feat I erroneously attributed to the composer. Apologies.




